A divisão da Polónia no que toca à crise de refugiados na União Europeia esteve no centro do debate, na terça-feira, entre os candidatos às eleições de dia 25. Candidatos de oito partidos falaram sobre a forma como a Polónia devia gerir o fluxo de refugiados que chegam à Europa, fugidos da guerra e instabilidade no Médio Oriente e Norte de África.

A primeira-ministra polaca Ewa Kopacz, do partido Plataforma Cívica, reiterou o seu compromisso com a solidariedade europeia, mas sublinhou a importância de se reforçar as fronteiras do bloco. “Acima de tudo vamos mostrar solidariedade com estas pessoas que estão a fugir do perigo ou da morte”, disse, acrescentando que a distinção entre refugiados e migrantes económicos deve ser uma prioridade.

O Governo de Kopacz opôs-se a quotas obrigatórias mas aceitou acolher cerca de 5.000 das 120.000 pessoas a serem distribuídas entre os 28 Estados membros da União Europeia. Beata Szydlo, do partido da oposição Lei e Justiça (PiS), defendeu que a Polónia “devia focar-se na ajuda humanitária e apoio financeiro aos países onde estas pessoas estão agora em risco”, destacando que o problema dos refugiados devia ser resolvido na fonte.

Duas sondagens publicadas na semana passada deram ao PiS 32 e 36% das intenções de voto, à frente dos 22% da Plataforma Cívica, que tem visto a sua popularidade cair ao fim de oito anos no poder. Pawel Kukiz, um rocker reformado, líder do Movimento Kukiz’15, que conseguiu 20% dos votos nas eleições presidenciais de maio, sublinhou que “estes são migrantes económicos” e não refugiados.

Janusz Korwin-Mikke, do grupo eurocético Korwin, acusou Angela Merkel de “pedir que criemos campos de concentração para estes refugiados e os guardemos para que não fujam para a Alemanha”. Adrian Zandberg, do pequeno partido de esquerda Together, instou a classe política a não ceder ao argumento do medo e pediu “decência” para com os migrantes.

“Se estas pessoas que estão a fugir da guerra, da morte e da fome nos estão a bater à porta, é nosso dever, como seres humanos, cuidar deles”, disse.