A leitura do acórdão do julgamento do sucateiro Manuel Godinho, num processo de corrupção que resultou de uma certidão extraída do caso “Face Oculta”, está marcada para esta sexta-feira no Tribunal de Aveiro.

O empresário das sucatas é suspeito de ter subornado um engenheiro que trabalhava na antiga Rede Ferroviária Nacional (Refer), coarguido no mesmo processo, para praticar “atos materiais que visavam favorecer economicamente” as suas empresas.

Segundo o despacho de pronúncia, em 2001, a Refer, atualmente designada por Infraestruturas de Portugal, pagou 115 mil euros a uma empresa de Manuel Godinho por trabalhos que não foram realizados ou que já tinham sido pagos anteriormente.

Para levar a empresa que gere a rede ferroviária nacional a pagar este montante, o sucateiro terá contado com a ajuda do então responsável pela Via e Geotecnia da Zona Operacional de Conservação Sul.

De acordo com a investigação, o ex-funcionário da Refer, que entretanto foi despedido da empresa com justa causa, recebeu 128 mil euros, como contrapartida.

Manuel Godinho está pronunciado por um crime de corrupção ativa, enquanto o outro arguido responde por um crime de corrupção passiva, sete crimes de falsificação de documento agravado e um de fraude fiscal.

Durante o julgamento, os dois arguidos optaram por não prestar declarações.