Está a chegar às empresas e famílias da zona euro mais crédito, mais barato e a prazos mais longos – em especial nos países “mais vulneráveis”. Esta é a garantia do Banco Central Europeu (BCE), que nesta terça-feira publica uma análise aprofundada aos efeitos das medidas de estímulo monetário anunciadas desde junho de 2014.

“Num contexto de medidas adicionais de política monetária, e especialmente após o anúncio do pacote de expansão do crédito, tem havido um declínio acentuado nas taxas no crédito“, afirma o BCE no relatório divulgado nesta terça-feira. “Os dados empíricos sugerem que estas políticas foram bem sucedidas na melhoria das condições de crédito na zona euro, suportando a recuperação decorrente na atividade de concessão de crédito”.

As medidas principais com que o BCE tem procurado combater a inflação baixa são a taxa de juro de referência cobrada aos bancos, que está no mínimo histórico de 0,05% e a taxa paga pelo BCE quando os bancos depositam liquidez no banco central, que está negativa (-0,2%). Contudo, para assegurar que estas taxas definidas pelo BCE são transmitidas à economia real, o BCE anunciou várias medidas extraordinárias desde o ano passado.

A primeira foi a injeção de liquidez a longo prazo (até quatro anos), com juro baixo, direcionada para o crédito à economia. Conhecida como TLTRO, esta operação só concedeu liquidez aos bancos nestas condições especialmente favoráveis se estes provassem que esse financiamento seria passado à economia.

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Além disso, o BCE avançou há cerca de um ano com um programa de compra de ativos privados (APP), ou seja, o banco central passou a intervir no mercado de crédito comprando pacotes de crédito (securitizados) para tentar comprimir os juros nas novas operações e injetar liquidez no sistema. Esse programa foi expandido no início de 2015 para a dívida pública.

“Tanto as TLRO como a APP reduziram de forma significativa as taxas de juro num conjunto alargado de segmentos dos mercados financeiros”, garante o BCE, notando que houve “efeitos numa vasta gama de ativos” e que isso proporcionou um aumento das maturidades e da tolerância dos bancos ao risco. Criou-se uma “atitude mais aberta” ao crédito, diz o BCE, ajudando famílias e empresas.