Rádio Observador

Nostalgia

15 expressões saídas da publicidade que usamos vezes sem conta

6.706

O algodão não engana. Há anúncios que entram na memória coletiva e passam a fazer parte da cultura popular. Recordamos 15 frases que perduraram no tempo, muito para além do fim das suas campanhas.

O slogan "o que é nacional é bom" ultrapassou o âmbito da marca de produtos alimentares.

Blogue Miniaturas Dinâmicas

Autor
  • Tiago Tavares
Mais sobre

1. Primeiro estranha-se, depois entranha-se

O anúncio que marcaria a entrada da Coca-Cola em Portugal foi encomendado à agência Hora, onde trabalhava Fernando Pessoa, nos finais dos anos 20. O poeta foi responsável pelo slogan, mas a campanha não saiu do papel e a bebida foi proibida por intervenção do diretor de Saúde de Lisboa, Ricardo Jorge — o médico que dá nome ao Instituto –, por um duplo motivo: se o produto continha coca, da qual se extraía a cocaína, não podia ser vendido ao público; se não tinha coca, então anunciá-lo com esse nome seria publicidade enganosa. A marca só começou a ser vendida em Portugal em 1977, mas a frase ficou para a história.

2. Há mar e mar, há ir e voltar

Outro poeta a dar cartas na publicidade foi Alexandre O’Neill. Devemos-lhe esta frase elevada a provérbio, criada para uma campanha do Instituto de Socorros a Náufragos para prevenir os afogamentos nas praias portuguesas.

3. Se conduzir, não beba

No campo das campanhas institucionais, esta foi outra frase que fixámos neste anúncio de 1986 e que continuamos a repetir.

4. Aquela máquina

Podemos até já nem nos lembrar bem do que fazia “o Homem da Regisconta”, mas certamente que nos ecoa na memória a voz forte de Fernando Girão a cantar “Aquela máquina!”, num anúncio repetido entre 1974 e meados dos anos 80. E todos nós, seja em que tarefa for, gostamos de ser “aquela máquina”.

O "Homem da Regisconta" era aquela máquinaaaa!

O “Homem da Regisconta” era aquela máquinaaaa!

5. Acredita nos glutões?

Quem foi criança nos anos 80 provavelmente terá acreditado que existiam mesmo uns bonequinhos verdes que saíam da embalagem do detergente Presto para dar conta das nódoas mais difíceis. “Acreditar nos glutões” passou a ser sinónimo da ingenuidade de crer em coisas pouco razoáveis.

Os glutões que comiam todas as nódoas

Os glutões do Presto devoravam todas as nódoas

6. O que é Nacional é bom

Muito antes de Scolari nos encher as janelas e os carros de bandeiras portuguesas, já a secular marca de massas, farinhas, cereais e bolachas apelava ao nosso patriotismo. No léxico comum, o slogan extravasou o âmbito da marca nascida em 1849 e serve hoje para exaltar a qualidade de todo o tipo de produtos portugueses.

7. Vá para fora cá dentro

O slogan lançado pelo então Ministério do Comércio e Turismo em 1995, numa campanha que desafiava os portugueses a passear pelo seu país, tornou-se tão natural como a nossa sede — e aqui está outra frase herdada da publicidade — de escapadinhas turísticas.

8. Sensação de absorção

Num anúncio dos anos 90, designava o efeito da aplicação da pomada Clearasil nas borbulhas de uma adolescente. A expressão foi absorvida por ainda mais gente quando Herman José, criador de mil expressões, a adaptou para “sensação de absorção, mas ao contrário”.

9. Apetecia-me tomar algo

O pedido feito pela madame ao motorista Ambrósio entrou para a história da publicidade orelhuda em 1995, prestando-se a algumas conotações menos ortodoxas no imaginário popular das relações patroa-motorista.

10. O algodão não engana

A visibilidade de Ambrósio é comparável à do zeloso mordomo que descobre toda a sujidade invisível a olho nu, através do infalível teste do algodão. A expressão deu nome a uma canção dos Tara Perdida e a um projeto musical de Pacman (agora Carlão), mas é usada sobretudo quando queremos desmascarar aquilo que, à primeira vista, parecia “limpinho, limpinho”.

11. Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil

Por falar em limpeza, há uma vila no distrito de Lisboa cujo nome foi repetido à exaustão por Vítor de Sousa num anúncio do Tide (detergente igualmente responsável pelo “branco mais branco não há”). Embora a frase não dê para aplicar em muitos contextos, sabemos de fonte segura que os habitantes de Sobral de Monte Agraço ainda hoje são questionados acerca do seu parque infantil.

12. Papa a papa

Se uma frase entra no ouvido de muita gente, uma canção entra muito mais. E apostamos que em casa de muitos leitores com filhos pequenos, quando chega a hora de dar a papa, esta adaptação do “Frère Jacques” mantém a eficácia de 1992, quando a campanha estreou.

13. Falta-te um bocadinho assim

Ora aqui está uma expressão com gesto incorporado. Quando estamos quase a conseguir atingir um objetivo, mas ainda falta o quase, há sempre alguém que aproxima o indicador do polegar e nos manda comer um Danoninho.

14. Há uma linha que separa…

Esta expressão é mais recente, embora a marca de telecomunicações já tenha entretanto mudado de nome. Andou na boca de todos no início desta década e até o então líder do PS, António José Seguro, glosou o slogan: “Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade”, disse em 2012, em relação à proposta do Governo para descer a TSU.

15. Poder, podia, mas não era a mesma coisa

Poucos anos antes, aquando da introdução da fibra na sua oferta de serviços, a Zon teve uma campanha com figuras públicas, cujo mote foi repetido vezes sem conta, substituindo o nome da marca por aquilo que se quisesse, como por exemplo: “Podia viver sem o Lifestyle do Observador? Poder, podia, mas não era a mesma coisa.”

Se se lembrar de mais expressões, sinta-se à vontade para as partilhar na caixa de comentários.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Pais e Filhos

Um pai do século XXI

David Gaivoto

Ao longo da minha experiência enquanto pai tenho também aprendido que por vezes são eles que nos educam, por vezes são eles que nos apelam à nossa consciência com a sua gigante e preciosa inocência

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)