Os atrasos na aprovação da tranche de dois mil milhões para Atenas tem uma explicação simples para Euclid Tsakalotos. Na ótica do ministro das Finanças da Grécia, as negociações não avançam porque foi combinado que depois de uma primeira nota positiva a Atenas, seguir-se-iam negociações sobre o alívio da dívida. E, diz Tsakalotos, isso ia “dar força ao tipo errado de pessoas” em Espanha, onde há eleições a 20 de dezembro. E não só em Espanha.

“A promessa que nos fizeram é que haveria uma discussão sobre a dívida imediatamente após a primeira avaliação do [terceiro] programa. E que haveria um acordo [sobre essa matéria] antes do Natal“, afirmou Euclid Tsakalotos numa conferência na London School of Economics (LSE) na noite de terça-feira. “Mas não teremos esse acordo porque há eleições em Espanha e isso ia dar força ao tipo errado de pessoas”, concluiu.

O ministro das Finanças acrescenta, aliás, que continua a existir um “desejo de que o governo grego fracasse” por parte de alguns países, para evitar que isso dê razão a quem, em países como Espanha e Portugal, quer reduzir a austeridade. As declarações de Tsakalotos são citadas pela Bloomberg.

Os ministros das Finanças da zona euro, que se reuniram na segunda-feira, não deram luz verde ao desembolso da tranche de dois mil milhões de euros que está bloqueada desde o mês passado, por falta de progressos na execução do terceiro programa. Ainda assim, o governo grego tem manifestado a sua crença de que até à próxima segunda-feira haverá um acordo definitivo.

Um dos principais pontos de discórdia entre credores e Atenas diz respeito às regras das execuções de hipotecas. O governo está a tentar criar um esquema em que 70% dos proprietários de habitações conseguirão manter as suas casas mesmo estando em falta com o pagamento das prestações ao banco. No plano inicialmente discutido com a troika, só cerca de um quinto das pessoas conseguirão evitar a perda da casa. Ainda não há acordo.

Onde parece ter havido progressos, segundo o jornal financeiro norte-americano, é na substituição da subida do IVA nas escolas privadas, um plano que tem penalizado a popularidade do governo, que tenta encontrar uma alternativa que os credores aceitem. Euclid Tsakalotos, o ministro das Finanças da Grécia, estará a tentar propor um aumento dos impostos sobre o jogo para substituir a medida, mas não é claro se atroika irá aceitar.

Mas este problema não poderá arrastar-se muito mais porque a aprovação destas medidas dará, espera-se, lugar à discussão sobre a próxima ronda de medidas de austeridade e, muito importante, oesquema para a recapitalização dos bancos. Este terá de estar concluído até ao final do ano porque a 1 de janeiro mudam as regras de recapitalização na Europa e os depositantes (acima de 100 mil euros) passam a estar em risco de perdas caso sejam chamados a ajudar no processo.