“O facto de termos apenas um candidato credível é um ativo que deve ser protegido“, defendeu o ex-ministro da Economia e dirigente do CDS António Pires de Lima numa intervenção no Fórum da TSF sobre presidenciais. Depois das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, em que o candidato presidencial disse não querer “governos de seis em seis meses”, a coligação ficou inquieta com o facto de o único candidato de direita não estar a defender as posições do PSD e CDS e voltaram a surgir informações de que Rui Rio ou Pedro Santana Lopes estariam a ser pressionados e reponderar uma candidatura presidencial.

Há duas semanas, no Expresso, Pires de Lima afirmara que Marcelo devia ser mais clarificador porque de outro modo isso podia “abrir uma auto-estrada para que apareça outra candidatura à direita”. Esta quarta-feira, insistiu que deve existir apenas uma candidatura à direita porque a dispersão faz com que exista “mais dificuldade em eleger” um candidato presidencial de centro-direita.

“Acho que a direita deve evitar a dispersão nas presidenciais” porque levam a um “resultado pouco claro à primeira volta”, defendeu o dirigente do CDS, acrescentando que “o espaço democrático do centro e da direita deve unir esforços em torno de uma só candidatura”. 

Quanto à posição que Marcelo Rebelo de Sousa, e depois de ter dito que era necessário “esperar para ver” se um governo de esquerda apresentará condições de estabilidade, Pires de Lima afirma que “o professor Marcelo Rebelo de Sousa, no seu afã de ser um candidato simpático à esquerda, talvez tenha descurado o espaço mais partidário de centro e direita democrático”.

Na opinião do ex-ministro da Economia, os tempos que se vivem “são muito diferentes dos que de há dois meses, quando as candidaturas foram anunciadas”, e a política portuguesa “mudou muito”, existindo um “sentimento de deceção com o comportamento do PS” e à volta da “criação de um governo de esquerda”. Assim, Pires de Lima defende que “esse sentimento quer ser confortado” por um candidato às presidenciais que represente o centro-direita

Quando à atual situação política, o Pires de Lima afirma que esta é “bastante dramática e de radicalização política”. Por isso, o ex-ministro da Economia afirma que Marcelo “deve ter uma palavra de conforto e proximidade” para aqueles que são os seus “votantes naturais”, os eleitores de centro-direita que “estão preocupados” com situação política, e acrescenta que o mais necessário é que o país “seja pacificado”. 

Ainda sobre Marcelo Rebelo de Sousa, Pires de Lima diz que este deve “garantir que vai ser um Presidente da República muito exigente e especialmente atento” e que o país tenha “um ambiente claro e desanuviado”, sem “faltas de transparência”. 

*Texto editado por Helena Pereira