O fundo de investimento americano J. C. Flower é o quinto candidato à compra da posição do Estado no Banif, juntando-se aos bancos Santander e Popular, à Apollo e um um fundo sino-americano, confirmou à Lusa fonte do setor financeiro.

Além dos espanhóis Santander e Popular, com longa atividade na banca comercial em Portugal, o fundo norte-americano Apollo, que comprou a seguradora Tranquilidade e esteve na corrida ao Novo Banco, também apresentou na sexta-feira uma proposta de compra da participação do Estado no banco liderado por Jorge Tomé.

Com sede em Nova Iorque, a J.C. Flower – liderada por Christopher Flowers, sócio fundador da Goldman Sachs — também apresentou uma proposta ao banco e ao Estado português.

O fundo dedica-se ao investimento no setor financeiro, tendo investido cerca de 13.000 milhões de euros (14.000 milhões de dólares) num portefólio de 32 empresas em 14 países, desde 2001.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo fonte do mercado financeiro, na corrida à compra da posição pública no Banif, de cerca de 60%, está ainda um fundo sino-americano, ligado ao Haitong Bank, que há um ano comprou o BESI ao Novo Banco, por 379 milhões de euros.

A Lusa desconhece a sexta proposta de aquisição da participação social detida pelo Estado no Banif.

Numa nota ao mercado, emitida na sexta-feira à noite, o banco informou que as propostas vão ser “cuidadosamente analisadas” pelo banco e pelo Estado.

O Banif está em processo de reestruturação desde 2012, sendo que, no final daquele ano, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no banco para o recapitalizar, 700 milhões de euros em capital e 400 milhões de euros em obrigações convertíveis em ações (as chamadas ‘CoCo bonds’), das quais faltam devolver 125 milhões de euros.

Desde então, o Banif começou a negociar com a Comissão Europeia o seu plano de reestruturação, que até hoje ainda não foi aprovado, mas que já era conhecido que incluía a saída das unidades que o banco tem fora de Portugal.

As unidades descontinuadas do grupo ainda para venda são o Banco Banif Brasil, o Banif Bank (Malta), o Banco Caboverdiano de Negócios e a Açoreana Seguros.

O Banif tem estado sob os holofotes mediáticos nos últimos dias, perante a confirmação da administração do banco de que estava “envolvido num processo formal e estruturado” com vista venda a um investidor da posição do Estado e, sobretudo, depois de notícias de que o Governo queria receber ofertas de compra até sexta-feira às 20:00.

As ações do Banif estão suspensas de negociação desde quinta-feira, por decisão da CMVM, que disse estar a aguardar a “prestação de informação relevante” sobre o processo de venda. Quando foram suspensos, os títulos estavam a valorizar 43% para 0,002 euros (0,2 cêntimos).

A Comissão Europeia – cuja Direção-Geral da Concorrência tem aberta já há algum tempo uma investigação às ajudas prestadas pelo Estado ao Banif – afirmou recentemente, num documento, que tem “as maiores dúvidas” de que o banco consiga devolver o dinheiro público.

O ‘contrarrelógio’ para encontrar rapidamente uma solução para o Banif está relacionado com a entrada em vigor, a 01 de janeiro de 2016, da nova legislação europeia sobre a liquidação e reestruturação de instituições bancárias, que impõe que obrigacionistas seniores e grandes depositantes (acima de 100 mil euros) paguem parte de uma eventual resolução.

O primeiro-ministro, António Costa, disse na sexta-feira em Bruxelas ter “esperança” de que surgissem propostas para o Banif que dispensem a necessidade de um Orçamento do Estado retificativo para 2015.