O secretário-geral do Podemos reiterou que vai opor-se a um eventual governo do PP em Espanha, considerando que o seu partido é a única oposição a um “bloco imobilista a três” entre “populares”, PSOE e Ciudadanos.

Pablo Iglesias, que falava aos jornalistas após uma reunião de mais de uma hora com o chefe de Governo em funções, Mariano Rajoy (direita, no poder desde 2011), referiu-se a esse possível acordo entre PP-PSOE e Ciudadanos como “o bloco da restauração”.

“Creio que assistimos à primeira grande coligação a três”, disse Iglesias à saída do encontro, mas numa referência aos comentários dos partidos PP, PSOE e Ciudadanos à Mensagem de Natal do Rei Felipe VI.

Após o encontro com Rajoy, Iglesias revelou também o conteúdo da conversa com o secretário-geral do PSOE, com quem conversou por telefone na noite da Consoada, na quinta-feira.

Iglesias disse que apresentou a Pedro Sánchez uma série de medidas de caráter social e sobre a “o projeto de defesa plurinacionalidade de Espanha” (a nova forma do Podemos se referir a um referendo sobre a independência da Catalunha).

“Não recebi nenhuma resposta”, revelou o secretário-geral do Podemos, qualificando a conversa como “altamente decepcionante”. Por isso mesmo, instou os socialistas – que se reuniram hoje de manhã no Comité Federal, o mais importante fórum do partido entre congressos – a porem-se de acordo quanto à investidura de Mariano Rajoy.

“O que vemos é que são os ‘barões’ que mandam. Acho que o PSOE deveria deixar de fazer teatro”, salientou Iglesias sobre a possibilidade de, no final, os socialistas acabarem por apoiar o PP, partido mais votado nas eleições gerais de 20 de dezembro.

No entanto, o Podemos está “aberto a qualquer possibilidade que permita que o PP não governe” mais quatro anos.

“Mas para isso temos de falar de Espanha, tomar uma posição sobre a Lei 25 (um pacote de medidas sociais contra os despejos, contra os cortes da luz e do gás por falta de recursos e as comparticipações de medicamentos), acabar com a presença de ex-ministros em Conselhos de Administração e entender que a realidade do país é a que é, pelo que só reconhecendo a diversidade se pode trabalhar para que o país permaneça unido”, salientou o líder do Podemos.

Iglesias considerou que “parece que alguns não querem falar dos problemas dos espanhóis”.

“Nós não chegámos ao Parlamento para brincar ao jogo das cadeiras”, disse o líder do Podemos, acrescentando que não está preocupado com a possibilidade de novas eleições: “Se houver novas eleições, vamos lutar e creio que teríamos muitas possibilidades de ganhar”.