A greve, que abrangerá dois turnos por trabalhador, visa exigir da empresa a reposição dos 28 dias por ano de compensação a que cada trabalhador tem direito, em função do acordado, em 2002, entre as empresas do setor do vidro de embalagem e os representantes dos trabalhadores.

O acordo estabelece um horário de trabalho semanal de 35 horas, mas a sua aplicação, que implica, designadamente, distribuição por turnos (as empresas do setor laboram sem interrupção), faz com que cada trabalhador tenha de cumprir em média 42 horas semanais, disse à agência Lusa a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV) Etelvina Rosa.

Para compensar aquela diferença de horário, empregadores e empregados acordaram, em 2002, a atribuição de 28 dias de compensação por ano a cada trabalhador. Na BA Vidro, desde final de 2012 só são atribuídos 23 dias de compensação por ano, situação com a qual os trabalhadores concordaram, aceitando na altura os argumentos da administração, que alegava tratar-se de uma situação temporária, designadamente para reparação de fornos e reestruturação das fábricas da empresa. Mas desde final de 2014 não há qualquer justificação para a manutenção daquela situação, motivo pelo qual os trabalhadores voltam à greve, sustentou a dirigente do STIV.

Os trabalhadores da BA Vidro, pelo mesmo motivo, fizeram várias greves durante este ano, designadamente em fevereiro, abril, junho e setembro, mas com duração de tempo inferior à prevista para a paralisação que começa hoje às 21h00 e se prolonga até às 13h00 de domingo, 03 de janeiro de 2016, referiu a dirigente sindical.

A multinacional BA possui em Portugal unidades fabris em Avintes (Vila Nova de Gaia), na Marinha Grande e em Venda Nova (Amadora), onde trabalham cerca de 900 pessoas. Além das três unidades em Portugal, o grupo, com cerca de 2.200 trabalhadores, tem mais quatro fábricas (duas em Espanha e outras tantas na Polónia), produzindo anualmente mais de cinco mil milhões de embalagens, em 11 cores de vidro.