Futebol

Quem dará o puñetazo agora?

Ao fim de 68 jornadas, Lopetegui lidera o campeonato. Jesus conseguiu o seu melhor arranque de sempre. Ambos estão com mais pontos que na época passada e vão reecontrar-se depois da picardia.

"Não te voltas a enganar no meu nome!". Não se sabe se foi isto que Lopetegui disse a Jesus em abril, mas houve picardia da última vez que os treinadores se encontraram

Joana Sousa/ASpress/Global Imagens

Pi, pii, piii! O árbitro apita três vezes, está acabado o clássico e toca a trocar “passou bens”. Os treinadores lembram-se do aperto de mão da praxe e um deles faz questão de o prolongar com um bate boca. Lotopegui é diferente de Lopetegui e Julen não gostou nada de ouvir Jorge Jesus trocar-lhe as sílabas ao apelido. Fazem-se replays às imagens, pede-se até que peritos em ler os lábios tentem decifrar a conversa, monta-se um alarido à volta da discussão, mas não se vai muito além do diz que disse. E o que se disse foi que Lopetegui disse a Jesus que lhe daria um puñetazo — um murro, em bom português — caso se voltasse a enganar no seu nome.

É assim que, em abril, acaba o 0-0 entre Benfica e FC Porto, que ajudou o português a ser bicampeão e o espanhol a acabar uma época sem títulos. Lopetegui não quis saber das muitas vezes que o treinador adversário troca os nomes às coisas e Jesus, como realçou agora há dias, “não se sente obrigado” a medir as palavras e diz “no momento” aquilo que pensa. Este tal bate boca interessa porque, no sábado, os dois treinadores vão reencontrar-se pela primeira vez desde que ambos armaram confusão no relvado do Estádio da Luz, na temporada passada. E como as coisas mudaram, entretanto, em oito meses.

Há uma já mais que falada e outra que nem por isso. Logo no verão, Jesus empacotou os pertences que tinha na Luz e pousou as caixas em Alvalade, trocando um rival por outro e ateando a fogueira da rivalidade entre leões e encarnados que há muito não tinha chamas como as que tem tido. Lopetegui continuou no Dragão e fez acontecer a outra mudança, porque deu ao FC Porto algo que já não tinha desde que era um ruivo de barba e cabelo que por lá mandava há cinco temporadas que os dragões não dobravam o ano como líderes isolados do campeonato. E mais, já que além de esta ser a primeira vez que o espanhol consegue estar sozinho no cume do campeonato (demorou 68 jornadas), o FC Porto também não sabia o que isto era desde 23 de novembro de 2013, quando Paulo Fonseca ainda por lá andava.

Depois, vem o resto. As duas equipas estão melhores do que estavam há um ano e ambos os treinadores merecem palmas por isso. Os dragões deram um pulo e, à 14.ª jornada, têm mais cinco pontos do que tinham em 2014/15, mesmo tendo menos um golo marcado (30) e os mesmos sofridos (sete). A moral da melhoria, portanto, explica-se pelos resultados e esses é que fizeram o FC Porto dar o salto: são a única equipa que ainda não perdeu no campeonato e vão com 11 vitórias e três empates. A época passada os portistas iam com nove vitórias, quatro empates e uma derrota e isto quer dizer que os dragões têm feito mais com praticamente o mesmo número de bolas a entrar na baliza dos outros. Mais eficácia, equipa mais certinha e menos espetacular a fazer coisas com bola.

Equipas com mais pontos em 2015

FC Porto e Sporting, por esta ordem, são as equipas que mais pontos amealharam no campeonato durante o ano civil de 2015. Os dragões somaram 87, enquanto os leões colheram 85.

Mas se o FC Porto deu um pulo, os leões deram um salto com trampolim. O Sporting tem hoje mais oito pontos do que tinha à mesma jornada do campeonato transato e, em vez de estar em quinto lugar, está em segundo. A mão e as ideias de Jorge Jesus na equipa notaram-se desde o arranque e, mesmo que muito se fale das tabelas e jogo interior a atacar, o que mais tem rendido é o tino a defender, a pressão mal se perde a bola e a agressividade a recuperá-la. Os números confirmam-no — mais do que ter menos dois golos marcados, os leões sofreram menos cinco golos. É por isso que JJ conseguiu o melhor arranque de época do Sporting nos últimos 21 anos e o seu melhor como treinador (sete vitórias e dois empates nas primeiras nove jornadas).

E é por causa de tudo isto que o clássico de Alvalade terá bastante mais pimenta.

Os pulos que ambos deram fizeram com que cheguem ao primeiro jogo dos grandes de 2016 com apenas um ponto de diferença. Cada um estará também ciente de que, se ganhar, baterá o pé ao rival e demonstrará força por ficar sozinho na liderança do campeonato. Para quem perder, será o contrário. Sobretudo para o Sporting, que mesmo com muito campeonato ainda por jogar ficará com menos quatro pontos que o FC Porto e deixará de estar independente na luta pelo título (os dragões terão sempre de perder ou empatar mais um jogo se os leões, até ao fim, vencerem todos os que lhe restam jogar). Mas claro que as escorregadelas costumam fazer parte da caminhada e por ter falhado um pé ao Sporting na Madeira é que os dragões vão dobrar o ano na liderança.

Jorge Jesus não mais se voltou a enganar no apelido de Julen Lopetegui e por isso a suposta ameaça de puñetazo não se concretizará. No sentido literal, claro está, porque todos se vão fazer à vitória.

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