A Turquia está a planear oferecer vistos de trabalho a refugiados sírios para reduzir as entradas ilegais de migrantes na Europa, anunciou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Volkan Bozkir.

“Estamos a trabalhar para reduzir a pressão da imigração ilegal, oferendo aos sírios que estão na Turquia uma autorização de trabalho”, disse Volkan Bozkir após uma reunião em Ancara com o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, citado pelo diário turco Hurriyet.

A Turquia, que deseja integrar a União Europeia (UE), negociou em novembro passado um plano de ação conjunto com as autoridades comunitárias para enfrentar o atual fluxo migratório.

De acordo com o plano, Ancara adotaria medidas para ajudar a conter o fluxo de refugiados sírios que entram na Europa, recebendo em troca uma verba de três mil milhões de euros de Bruxelas.

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Nesse sentido, o governo turco tem estudado vários planos para facilitar a integração dos refugiados sírios naquele país.

Em 2015, segundo dados fornecidos pelo ministro Volkan Bozkir, as autoridades turcas intercetaram diariamente cerca de 500 migrantes que pretendiam entrar na Europa através do território turco.

Atualmente, a Turquia, um dos principais países de acolhimento de migrantes sírios, autoriza a permanência indefinida destes migrantes no seu território, mas não lhes atribui o estatuto jurídico de refugiado.

Também não permite aos migrantes um acesso legal ao mercado de trabalho, nem autoriza que os seus filhos sejam matriculados em escolas que integram o normal sistema educativo turco. Para estas crianças e jovens, a solução passa por cursos temporários ou colégios específicos.

A taxa de desemprego na Turquia situa-se atualmente nos 10% e existem centenas de milhares de migrantes sírios e de outras nacionalidades a trabalharem ilegalmente e a receberem salários baixos.

Na semana passada, Frans Timmermans admitiu que o número de refugiados sírios que estava a entrar na Europa a partir da Turquia continuava a ser muito elevado e que a UE não estava satisfeita com as medidas adotadas até à data pelas autoridades de Ancara.

Em 2015, mais de um milhão de migrantes — a grande maioria oriunda da Síria — entraram na Europa, provocando a mais grave crise migratória que o “velho continente” testemunhou desde a Segunda Guerra Mundial.