Um grupo de trabalhadores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai criar um novo sindicato do setor que defende um estatuto para a carreira de inspeção, anunciou um dos promotores.

“Após analisarmos as mais variadas hipóteses de conseguir algo de benéfico e justo para quem no dia a dia veste a camisola da ASAE, resolvemos criar o Sindicato Nacional dos Profissionais da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (SNP/ASAE)”, disse hoje João Aldeia à agência Lusa.

O inspetor da ASAE, presidente da Federação de Trabalhadores Democratas-Cristãos (FTDC) no distrito de Coimbra, frisou que a carreira “carece de um estatuto digno da atividade inspetiva e das responsabilidades acrescidas que as funções exigem”.

Atualmente, a Associação Sindical dos Funcionários da ASAE é a única “estrutura que congrega” e defende os direitos dos trabalhadores deste organismo público, segundo a sua página na internet.

João Aldeia disse que a nova organização sindical será criada em assembleia constituinte a realizar em Coimbra, em janeiro, “em princípio no dia 23”, com a presença de pelo menos 35 sócios fundadores.

“Todos podemos fazer uma casa melhor”, preconizou o ex-militante do CDS, que se desvinculou do partido na sequência das eleições autárquicas de 2013, às quais concorreu à Câmara de Coimbra, em décimo lugar, na lista encabeçada pelo social-democrata João Paulo Barbosa de Melo, enquanto o então vereador dos democratas-cristãos, Luís Providência, avançou com uma candidatura própria, mas falhou a eleição.

Na sua opinião, “aproximam-se tempos difíceis”, o que implica “novos esforços para que os profissionais da ASAE sejam ouvidos”, quer pela sua direção, quer pela tutela.

“Carece ainda a ASAE de uma carreira de apoio à inspeção, pois todos os profissionais”, mesmo não sendo inspetores, “são parte integrante do processo”.

O novo sindicato é promovido por “um grupo de profissionais da ASAE descontentes quanto à incerteza do seu futuro”.

Os trabalhadores da ASAE “querem sentar-se à mesa das negociações e não no trapézio das falsas justificações”, preconizou João Aldeia, propondo “uma relação de lealdade para com quem dirige a casa, mas nunca de submissão”.

O futuro sindicato espera contar com “a colaboração da direção” da ASAE, mas não deixa de admitir que a ASF-ASAE, “com as armas que acha por adequadas, tem lutado pelos direitos” dos associados.