Os países da União Europeia (UE) chegaram esta quarta-feira a acordo quanto ao apoio financeiro que deve ser dado à Turquia, na gestão da crise dos refugiados. Ao todo, o país vizinho da Síria receberá um total de 3 mil milhões de euros: mil milhões serão pagos pela Comissão Europeia, os restantes 2 mil milhões pelos 28 Estados-membro da UE.

A Alemanha será o país que mais contribuirá com o apoio financeiro dado à Turquia: 427.5 milhões de euros, quase um quarto do valor que será pago pelos 28 Estados-Membro. O Reino Unido, a França e a Itália contribuirão com 224.9 milhões de euros cada um (quase metade do valor pago pelos germânicos).

O primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, afirmou que “o dinheiro que estamos a colocar em cima da mesa irá beneficiar diretamente os refugiados sírios [que estão] na Turquia, ajudando em particular à melhoria do seu acesso a educação e a cuidados de saúde”, segundo cita o Deutsche Welle (DW).

Frans Timmermans elogiou ainda “as medidas já tomadas pelas autoridades turcas no sentido de dar aos refugiados sírios acesso ao mercado de trabalho e para reduzir o fluxo” de refugiados que entra nos restantes países.

Turquia compromete-se a travar o fluxo migratório

Um dos objetivos da UE é que o fluxo de refugiados que chegam à Europa (vindos da Turquia) diminua, explica a BBC, que acrescenta ainda que há cerca de 3 milhões de refugiados que se encontram ainda em solo turco. Esse terá sido um compromisso assumido pelo seu presidente, Recep Erdogan, e um condição essencial a que o acordo fosse celebrado.

O mesmo foi confirmado pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa comunicação feita esta quinta-feira: “É uma preocupação importante da comissão fazer tudo para que os refugiados possam viver tão perto quanto possível dos seus países de origem”, disse, citado pelo DW.

Os Estados-membro da UE conseguiram assim ultrapassar as objeções levantadas inicialmente pela Itália e pelo seu primeiro-ministro, Mateo Renzi. Renzi questionou a Alemanha sobre qual a percentagem do apoio financeiro que seria prestado por cada um dos Estados-membro e que controlo teria a UE sobre a forma como o país utilizaria os fundos recebidos. Os dois reuniram-se esta segunda-feira.