Investigadores do Centro Médico da Universidade de Liubliana, na Eslovénia, encontraram uma forte presença do vírus zika no cérebro de um feto autopsiado. A mãe decidira abortar depois do diagnóstico de microcefalia. A descoberta vem reforçar a ligação entre o vírus zika e as malformações cerebrais.

Os resultados da investigação foram esta quinta-feira publicados no The New England Journal of Medicine. Tudo começou em outubro de 2015, quando uma mulher de 25 anos chegou ao Centro Médico da Universidade com a informação de que a sua gravidez estaria a correr mal. O feto teria problemas de desenvolvimento.

A mulher, que tinha sido sempre saudável, foi viver para o Brasil em dezembro de 2013, onde trabalhou como voluntária. Engravidou em finais de fevereiro de 2015 e estava com 13 semanas de gestação quando se sentiu doente: febre alta, dores musculares e erupções cutâneas. Na altura suspeitou-se que estaria infetada pelo vírus zika, uma vez que na comunidade local tinham sido registados mais casos. Mas não havia forma de confirmar o diagnóstico. As ecografias realizadas às 14 e às 20 semanas mostraram, no entanto, um normal desenvolvimento do feto.

A mulher regressou à Europa grávida de 28 semanas. Uma semana depois, nova ecografia. E chegaram os primeiros sinais de malformações. Começou, também, a sentir menos movimentos fetais. Quatro semanas depois confirmou-se um atraso no desenvolvimento do feto. Várias calcificações no cérebro. Uma microcefalia. E a mulher decidiu abortar.

Foi feita uma autópsia ao feto e tecidos de vários órgãos foram analisados. Confirmou-se a microcefalia, além de lesão cerebral grave, e altos níveis de material genético do zika em tecidos do cérebro fetal – excedendo os níveis de vírus normalmente encontrados no sangue.

O jornal ElMundo, que falou com especialistas sobre o estudo, ressalva que, apesar da descoberta, não é possível estabelecer uma relação de causa efeito. Ou seja, não pode dizer-se que todos os casos de microcefalia registados no Brasil se devem à infeção pelo zika.