David Cameron lançou “um ataque surpreendente” ao presidente da Câmara de Londres Boris Johnson, escreve o jornal britânico The Telegraph. Já o The Guardian fala num discurso que ridicularizou a posição de Johnson face ao referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, depois do mayor londrino ter anunciado que vai fazer campanha a favor do Brexit.

O primeiro-ministro britânico falou esta segunda-feira na Câmara dos Comuns e deu a entender que Boris Johnson está a favor do Brexit por motivos pessoais e colocou a tónica nas ambições de liderança do atual presidente da Câmara londrina. “Não me vou pronunciar sobre a ironia de algumas pessoas que querem sair de maneira a permanecer”, comentou Cameron, tendo em conta as sugestões de que Johnson quer sair da União Europeia de modo a conseguir um acordo melhor em Bruxelas.

“Tal abordagem ignora também pontos fundamentais sobre democracia e diplomacia”, continuou Cameron. “Infelizmente, conheço um conjunto de casais que iniciaram processos de divórcio. Mas não conheço nenhum [casal] que tenha começado um processo de divórcio de maneira a renovar os seus votos de casamento.”

Cameron afirmou ainda que a sua posição face ao referendo — está a favor da permanência do Reino Unido na UE — não tem por base outro motivo que não o melhor para o país. “A minha responsabilidade enquanto primeiro-ministro é falar abertamente sobre o que acredito estar certo para o nosso país e é isso que vou fazer todos os dias nos próximos quatro meses”, concluiu.

Esta segunda-feira também é notícia que Boris Johnson resolveu explicar-se num artigo na sua coluna no The Telegraph, argumentando que ser defensor da saída do Reino Unido não é ser “anti-europeu nem xenófobo”, uma vez que não foi o país que mudou, antes a União Europeia.

O referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia foi marcado para o próximo dia 23 de junho e, até lá, espera-se um período de muita agitação na política britânica.