A comentadora e ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu no seu programa semanal na TVI24 que a nacionalização do Novo Banco deve ser um cenário a ponderar pelo Governo. “Não creio que exista essa urgência [de nacionalizar], há tempo para ponderar. [Mas] a situação deve ser ponderada (…) e provavelmente numa visão global do que é o que nós queremos para o nosso sistema financeiro”.

Esse sistema financeiro, defendeu Ferreira Leite, deve ser composto por uma “banca nacional forte”, que é condição essencial para o desenvolvimento e crescimento do país: “Não conheço nenhum país que se desenvolva e que cresça sem ter uma banca nacional forte. Por isso, nós temos que olhar para o nosso sistema financeiro dessa perspetiva.

A solução para o Novo Banco, defendeu, deve ser “aquela que for melhor para defender os interesses do país no [seu] sistema financeiro”. “Acho difícil dizer se a melhor decisão é venda do banco ou nacionalização”, começou por dizer, acrescentando até que veria com bons olhos “se fosse possível vender o banco em condições benéficas”. Mas, para tal, seria importante que o Novo Banco, nacionalizado ou vendido, continuasse a ter capitais (públicos ou privados) nacionais:

Se estivermos com um sistema financeiro totalmente dependente de estrangeiros e não de nacionais, eu digo que temos uma perda significativa e visível da nossa soberania.

Por último, a ex líder do PSD atirou ainda uma farpa à posição do anterior governo de PSD e CDS (e também do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa), que inicialmente defendia que a solução encontrada para o BES não acarretaria quaisquer custos para os contribuintes, que veriam os capitais públicos que foram investidos no fundo de resolução serem devolvidos no futuro:

Não faço parte das pessoas que algum dia pensou que o desabar da maior instituição privada financeira do país não tinha qualquer custo [nem] para o país nem para os contribuintes, nem para os cidadãos, nem para ninguém. Era uma coisa que se passava lá entre eles e entre os banqueiros… (…) Evidentemente não me espanta que haja problemas sérios em termos de custos que poderá vir a ter para os contribuintes e para o sistema financeiro o que é o colapso de um banco com a dimensão e posição que [o BES] tinha no nosso sistema financeiro.

Texto editado por Rita Ferreira