Rádio Observador

BPI

BPI em contra-relógio para evitar multa diária do BCE

BPI tem 40 dias para resolver o problema criado pelo BCE quanto à exposição excessiva a Angola. O Negócios confirma que banco já foi avisado: multa pode superar três milhões de euros por dia.

Manuel Almeida/LUSA

O BPI tem até 10 de abril para resolver o problema da concentração excessiva em Angola e, segundo o Jornal de Negócios, o Banco Central Europeu (BCE) já informou as autoridades nacionais de que o banco liderado por Fernando Ulrich será alvo de uma multa diária enquanto não cumprir as exigências do BCE e não reduza a exposição relativa a Angola, um mercado que perdeu a equivalência de supervisão aos olhos de Frankfurt.

O cenário de uma multa diária já era visto como o mais provável para castigar o BPI caso esta questão não seja resolvida nos próximos 40 dias. Mas o diário financeiro veio, além de confirmar essa coima, veio indicar que esta poderá ascender a 5% do volume de negócios diário médio. Segundo as contas do Negócios, isso poderia equivaler a 3,2 milhões de euros por dia. Numa altura em que os bancos nacionais estão a lutar para recuperar a rentabilidade, seria um duro golpe para o BPI que poderia ter outras consequências indiretas e negativas para o banco.

Os acionistas do BPI recusaram em assembleia-geral, no início de fevereiro, o esquema proposto pela administração de Fernando Ulrich para resolver este problema. Um “problema” que António Domingues, vice-presidente da Comissão Executiva do BPI, colocou recentemente nos seguintes termos: o BPI “não tem um problema em Angola”. Tem, sim, “um problema em Frankfurt”.

Esta é uma alusão a um tema que há mais de um ano tem vindo a atormentar o banco e, de certo modo, a acentuar uma indefinição acionista que perturba os trabalhos na recuperação da rentabilidade nas condições difíceis com que toda a banca nacional se depara: no final de 2014, o BCE deixou de considerar a supervisão angolana equivalente à europeia.

A decisão do BCE teve dois efeitos. O primeiro foi o de obrigar o banco a contabilizar o risco da sua exposição à dívida pública angolana e dos créditos ao Banco Nacional de Angola a 100%. Antigamente, com a equivalência da supervisão, cada investimento desses só penalizava os rácios de capital em 0% ou 20%. Assim, os rácios de capital do banco foram penalizados e isso teve de ser incorporado pela instituição.

O outro problema, bem mais complexo, é o de que as regras do BCE não permitem que um banco tenha uma exposição superior a 25% dos fundos próprios a uma geografia onde não haja equivalência de supervisão. Segundo o CaixaBI, a exposição do BPI a Angola supera em mais de três mil milhões de euros o máximo previsto. O que significa que, para diluir essa exposição e cumprir o máximo de 25%, o BPI teria de fazer um aumento de capital na ordem dos 12 mil milhões de euros, uma impossibilidade que permite, contudo, ter uma noção aproximada das implicações da decisão do BCE para o BPI. Este problema tem de ser solucionado até 10 de abril, confirmou Fernando Ulrich no início de fevereiro.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
Crescimento Económico

Como vai o motor da nossa economia?

Luís Ribeiro

Estamos a viver “à sombra da bananeira” de uma alta imobiliária que alguns consideram já ser mais uma “bolha” do que um “boom”. É uma ilusão que se esfuma facilmente e é incapaz de arrastar a economia

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)