O secretário-geral da ONU anunciou hoje em Argel ter pedido ao seu enviado para o Saara Ocidental para retomar as suas visitas à região no sentido de relançar as negociações entre Marrocos e a Frente Polisário.

Rabat e o movimento independentista Polisário disputam há 40 anos a antiga colónia espanhola e “não avançaram nas negociações que deverão conduzir a uma solução justa e aceitável com base na autodeterminação do povo do Saara Ocidental”, disse Ban Ki-moon numa conferência de imprensa.

O enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Christopher Ross, recomeçou os seus esforços diplomáticos em fevereiro de 2015 e visita a região no final de setembro e em novembro sem grande sucesso.

Ban anunciou igualmente que vai convocar em breve “uma reunião de doadores com o objetivo de reunir fundos para que as necessidades dos refugiados saarauis possam ser satisfeitas”.

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Cerca de 200.000 saarauis vivem nos campos de refugiados em território argelino na região de Tindouf (1.800 quilómetros a sudoeste de Argel).

O secretário-geral das Nações Unidas, que se deslocou no sábado ao campo de refugiados de Smara, perto de Tindouf, declarou-se “profundamente entristecido com esta tragédia humanitária”.

“Em Tindouf, encontrei refugiados que sofrem há gerações. Falei com jovens que perdem a fé no futuro. Prometi-lhes tudo fazer para que as coisas avancem”, sublinhou.

Há nove anos à frente da ONU, esta foi a primeira visita de Ban ao Saara Ocidental, território que tem quase três vezes o tamanho de Portugal e menos de um milhão de habitantes.

A Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO) está no terreno desde 1991 e ainda não conseguiu organizar um referendo de autodeterminação.

A Frente Polisário, que é apoiada pela Argélia, reivindica a independência do Saara Ocidental através daquele referendo, enquanto Marrocos defende uma ampla autonomia para o território sob a sua soberania.