O antigo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mostrou-se estab sexta-feira profundamente dececionado com a decisão do presidente do Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, de retirar o país do Acordo de Paris de luta contra as alterações climáticas.

Como ex-secretário-geral da ONU [Organização das Nações Unidas] só posso expressar a minha profunda deceção e preocupação com a recente decisão do presidente dos EUA de se retirar do Acordo de Paris.”

Donald Trump anunciou na quinta-feira a retirada dos EUA do Acordo de Paris – assinado em 2015 por quase 200 países e ratificado por 147 -, dizendo que este pacto coloca em “permanente desvantagem” a economia e os trabalhadores norte-americanos, tendo proposto renegociar um “melhor” e “mais justo”.

“Dado que os EUA são um dos maiores países emissores de gases com efeito estufa, esperamos que regresse ao acordo e exerça a sua liderança para a aplicação do mesmo”, refere Ban Ki-moon, que deixou o cargo de secretário-geral da ONU em dezembro, no comunicado hoje divulgado.

O político defende ainda que o acordo dá esperança ao planeta com base “na unidade e na solidariedade da comunidade internacional” e insta todos os estados membros a implementar o texto irrefutavelmente “apesar da decisão lamentável dos EUA”.

Entretanto, uma ex-enviada especial da ONU em matéria de alterações climáticas afirmou que a decisão dos EUA torna o país “um estado desonesto no palco internacional”. Mary Robinson fez estas declarações enquanto elemento de um grupo de líderes mundiais conhecido como The Elders. Num comunicado divulgado, o The Elders pede aos estados e empresas norte-americanos que tomem medidas onde o governo federal se retirou.

Além disso, o grupo refere ainda que a retirada dos EUA do Acordo de Paris enfraquece a confiança dos países em vias de desenvolvimento nos países desenvolvidos em relação a quem irá financiar os milhares de milhões de dólares necessários para combater as alterações climáticas.

Para o diretor do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Erick Solheim, a decisão do presidente norte-americano “não coloca um ponto final neste esforço imparável [de combate das Alterações Climáticas]”, considerando que a China, a Índia, a União Europeia e outros estão já a demonstrar uma forte liderança.

“Uma única decisão política não irá descarrilar este esforço incomparável”, referiu num comunicado divulgado esta sexta-feira.

Concluído em 12 de dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o acordo entrou formalmente em vigor em 4 de novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Portugal ratificou o acordo de Paris em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como “arquitetos” centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, com a exceção de Donald Trump.