À superfície, o novo P9 da Huawei é mais do mesmo: tem um ecrã de 5.2 polegadas, 32 ou 64 GB de memória de armazenamento, 3 ou 4 GB de RAM, uma bateria com 3000 mAh, é fino, muito leve e elegante e, cereja no topo do bolo, tem uma boa relação qualidade/preço, com um valor base de 600 euros. Olha-se para estes números e para os detalhes de construção, sente-se o smartphone na mão e não restam dúvidas: a Huawei conseguiu tornar-se numa marca premium. Então e depois?

Há quem defenda que os smartphones, do ponto de vista tecnológico, estão a chegar a um patamar onde já pouco há a acrescentar. Mas a gigante chinesa não acredita nisso e reforçou a aposta numa característica que é, para muitos, o elemento mais importante e decisivo na compra de um telemóvel: a câmara fotográfica.

A ambição da Huawei é a de reinventar e acrescentar beleza à fotografia e, para isso, estabeleceu um projeto de engenharia com a germânica Leica, uma das marcas de produtos óticos mais conceituadas do mundo. Os píxeis não são tudo, as lentes são determinantes na qualidade final da imagem, daí que seja difícil imaginar melhor parceria. A Leica junta-se agora a um grande fabricante de smartphones, por isso é também um desafio e um passo importante para o modelo de expansão da fabricante alemã, como fez questão de salientar o diretor executivo da Leica, Oliver Kaltner, na cerimónia de apresentação dos novos P9 e P9 Plus, que decorreu esta quarta-feira em Londres.

Para a Huawei, isto representa uma oportunidade para reforçar a presença no mercado global dos smartphones (onde já ocupa a terceira posição, atrás da Samsung e da Apple), através de um sistema que tem tudo para fazer mexer o mercado: não uma, mas duas câmaras fotográficas de 12 MP cada. Uma fotografa a cores, a outra é monocromática, o que permite captar imagens a preto e branco com o carimbo da Leica, que tem neste estilo uma das imagens de marca.

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As duas câmaras também trabalham em conjunto na focagem a longa distância, o que possibilita um elevado detalhe na profundidade. Disso resulta a hipótese de alterar o ponto do foco, mesmo depois de tirada a fotografia. Ou seja, imagine que capta uma imagem mas percebe depois que preferia ter o foco noutro ponto. Não faz mal, basta mudar o ponto de focagem com a ponta dos dedos. Dito desta forma simples parece fácil, mas na realidade não é. Os novos P9 e P9 Plus são mesmo os primeiros telemóveis a dispor desta tecnologia.

A parceria com a Leica foi além da incorporação das lentes, o software foi adaptado para se parecer com o das máquinas alemãs, uma curiosidade que passará despercebida a quase todos, já que poucos serão capazes de identificar o design gráfico da Leica (uma marca de luxo e por isso bastante cara). E foram ainda mais longe: os novos P9 reproduzem o som do disparo (shutter) das máquinas Leica.

Pelo que já tivemos oportunidade de ver, a qualidade da imagem é realmente muito boa, com ênfase para o tal preto e branco ao estilo Leica. A Huawei está tão confiante no resultado final do P9 que imprimiu em livro algumas fotografias, tiradas não só por fotógrafos profissionais, mas por funcionários que andaram com o equipamento durante a fase de teste. Os resultados são, de facto, de encher o olho.

Voltaremos a falar do P9 no programa Tecno, mas adiantamos que vai estar à venda em Portugal no próximo dia 16 de abril por um preço base de 600 euros (com 32GB de armazenamento e 3 GB de RAM). Embora existam algumas diferenças nas configurações entre o mercado chinês e o europeu, o P9 vai estar disponível em seis cores, onde se inclui um branco “cerâmica”, um cor-de-rosa e dois dourados diferentes. De resto, tem uma só abertura para cartão SIM e micro-SD para expansão de memória e, claro, já corre o novo Android M – na versão 6.0.

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O P9 Plus é maior, tem 5.5 polegadas, uma bateria com 3400 mAh que garante dois dias de utilização normal, tem duas colunas áudio e está preparado para reproduzir som de alta-fidelidade. O ecrã vem equipado com Press Touch Display, a mesma tecnologia do 3D Touch da Apple. O preço da versão base do P9 Plus é de 700 euros.

Os dois novos topos de gama da chinesa Huawei foram apresentados esta quarta-feira em Londres, perante uma plateia de mil pessoas, entre convidados e jornalistas, que assistiram a um evento conduzido pelo diretor executivo do grupo, Richard Yu, mas onde esteve também Oliver Kaltner, CEO da Leica, os fotógrafos profissionais David Guttenfelder (National Geographic) e Reuben Krabbe da Banff (desportos radicais), mas também uma estrela de Hollywood, o ator Henri Cavill, um dos rostos mediáticos dos novos P9. A outra (super) estrela faltou à cerimonia, mas mandou recado.

A par dos modelos P9, a Huawei lançou a nova TalkBand B3, uma bracelete “inteligente” que é também um auricular sem fios. Mais um produto de categoria premium a reforçar o novo posicionamento da marca. Os ingredientes estão todos bem misturados, podem vir a representar um ponto de viragem na Huawei e, no que à fotografia diz respeito, agitar o mercado dos smartphones.

O Observador viajou a Londres a convite da Huawei.