Dois meses depois de ter sido recusada pelo advogado da apresentadora Bárbara Guimarães e pelo Ministério Público por alegada parcialidade, a juíza Joana Ferrer soube esta quinta-feira que vai manter-se no caso onde o ex-ministro Manuel Maria Carrilho é acusado de violência doméstica. Ao Observador, a magistrada afirma que, mal seja notificada da decisão do tribunal da Relação de Lisboa, vai imediatamente marcar nova sessão de julgamento, por se tratar de “um processo urgente”.

Sem querer tecer considerações, a juíza diz apenas que este é um processo de “natureza urgente” em que há mais de 70 testemunhas para ouvir. “Vou carregar no acelerador”, disse ao Observador.

A forma como Joana Ferrer interpelou a apresentadora de televisão, Bárbara Guimarães, durante a primeira sessão de julgamento, foi posta em causa pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas que acusava a magistrada de fazer juízos de valor.

“Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento”, disse Joana Ferrer. “Parece que o professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro.” Ora “o ser humano não muda assim”, disse a juíza.

Ao Observador, Joana Ferrer afirma que as suas palavras foram interpretadas de forma “distorcida”. Ainda assim, depois de o advogado de Bárbara Guimarães e do próprio Ministério Público terem feito um pedido de recusa da juíza, a própria Joana Ferrer também pediu ao Tribunal da Relação de Lisboa para ser afastada.

A decisão, só conhecida esta quinta-feira, não foi unânime, como Observador explica aqui. Mas acabou por considerar que as palavras da juíza durante aquela que foi a primeira sessão de julgamento não puseram em causa a sua imparcialidade, embora possam ter sido discriminatórias.

O julgamento deverá ser retomado em meados de maio.