Aprovado o Programa de Estabilidade com as metas orçamentais para os próximos quatro anos, Marcelo Rebelo de Sousa espera que Bruxelas aceite os números do Governo e elogia o “esforço” do executivo, que optou pelo “caminho do compromisso” em vez do caminho da confrontação. Para Marcelo, os números inscritos no PE mostram que o Governo aceitou a “lógica do sistema” e optou pelo “caminho menos ideológico e mais pragmático”. Uma escolha “muito sensata, prudente e realista”, disse.
Falando aos jornalistas em Portalegre, à margem do roteiro que está a fazer entre esta quinta-feira e sábado pelo Alentejo, o Presidente da República disse que o Governo tinha dois caminhos a seguir, tendo optado pelo mais “sensato”. “Podia ter seguido o caminho mais ideológico, dizendo ‘não aceitamos’, ou pelo caminho menos ideológico e mais pragmático do compromisso, de não contestar o caminho de Bruxelas e de fazer um esforço de redução do défice”. O Governo optou pelo segundo e, na opinião de Marcelo, fez muito bem.
Isto foi um primeiro passo, um “começo de vida”, disse o Presidente. A partir daqui, resta saber se Bruxelas vai aceitar os números. “Espero que sim”, disse, lembrando que esse mistério se resolve dentro de “semanas”, quando a Comissão Europeia se pronunciar sobre o caso português. “Vamos ver se a Comissão Europeia considera suficiente e, depois, vamos ver se é possível executar. Eu espero que sim”, disse.
Mas há outro degrau nesta escada. Mesmo aceitando, fica a faltar saber se o esforço que o Governo se propõe a fazer para reduzir a despesa do Estado é suficiente. “É preciso saber se o esforço do corte drástico de despesa, e de cativação de despesa já este ano, é suscetível ou não de cumprir o compromisso”, disse.
Para o chefe de Estado, “um corte de 1400 milhões e uma redução de défice para 1,4%, que é mais do que se esperava” significa um “esforço muito grande em termos orçamentais ao longo dos próximos anos”, pelo que Marcelo espera que venha a ser suficiente para Portugal se manter no trilho do rigor orçamental, por um lado, e do crescimento económico, por outro.
Fundos comunitários para depois de 2020? “Ninguém nos garante”
Outro dos avisos do professor, agora Presidente, foi sobre os fundos comunitários de que Portugal beneficia atualmente no quadro europeu mas que nada garante que vá continuar a beneficiar no próximo ciclo. Falando num púlpito montado na praça central de Fronteira, distrito de Portalegre, Marcelo lembrou que há um horizonte, um balão de oxigénio, até 2020, que é uma “oportunidade única”, mas que pode não durar parar sempre.
“Ninguém nos garante que depois do Portugal 2020 haja um Portugal 2024 ou 2025 comparável com esse, porque a União Europeia é muito grande, e tem muitos problemas”, alertou. “Portanto, ninguém garante que seja possível daqui a oito anos, dez anos, 12 anos, voltar a ter os fundos que estamos a começar a receber e vamos receber nos próximos anos”.
Por isso, disse, é preciso um “esforço” da parte de todos para investir e crescer, nomeadamente para inverter os problemas que assolam o interior do Alentejo, e que passam pelo despovoamento, o envelhecimento da população e o aumento do desemprego. “É preciso acessos e investimento para apoiar o que se está a fazer”, acrescentou.
Ou seja, a oportunidade é agora. Marcelo apelou ao investimento no interior e, sobretudo, à aposta naquilo que se faz de bem: a agricultura, a pecuária, a indústria, o turismo, que se divide na cultura, na gastronomia, na história. A palavra de ordem foi “esperança”.