Uma despedida em grande. No fim da legislatura, o Podemos aproveitou para dar (ainda mais) liberdade ao seu “estilo informal”. Interrupções de discursos, subidas do tom de voz e palavras mais agressivas marcaram a sessão no parlamento espanhol esta sexta-feira, dia 29 de abril. Haverá novas eleições a 26 de junho.

O cenário é descrito pelo ABC, que faz mesmo o título “Podemos despede-se do Congresso faltando ao respeito”. Na prática, o jornal refere-se a vários momentos protagonizados esta manhã por Pablo Iglesias e outros membros do partido de esquerda.

O secretário-geral do Podemos “pôs-se em pé e começou aos gritos” a dizer “isto é vergonhoso”, durante o debate para a criação de uma comissão de inquérito a um acidente ferroviário em Angrois. Iglesias argumentava que os proponentes queriam tirar “créditos políticos” da dor dos afetados e estabelecer “relações com terroristas”, referindo-se à visita de Arnaldo Otegi, político basco e ex-terrorista, ao Parlamento Europeu. Segundo conta o jornal, Iglesias continuou a fazer comentários já sem lhe terem dado a palavra.

Mas não é só pelas palavras que Iglesias é criticado. O mesmo jornal refere-se também à postura que o secretário-geral adotou no encontro com o rei de Espanha. A “informalidade” de Iglesias é chamada de “falta de respeito” e são dados exemplos concretos: o secretário-geral do partido “chegou vinte minutos atrasados à visita com o rei, estava de jeans e (…) não mostrou o menor sinal de preocupação por ter feito esperar o seu anfitrião”.

Quando terminou a sessão plenária desta sexta-feira, os deputados do Podemos puseram-se “todos em pé” dizendo em coro e com os braços no ar: “Sim, nós podemos”. Deputados de outros partidos afirmaram ao ABC estar “estupefactos” com a atitude dos membros do Podemos: “Acham que estão na reunião da faculdade (…) mas não percebem que o que fazem agora tem consequências”. O porta-voz popular do Congresso disse ainda que a tão desejada “nova política” transformou-se em “muita foto, muita televisão e muito show, mas poucas coisas concretas”. Por outro lado, Gloria Elizo, 3ª vice-presidente do Congresso e membro do Podemos, justificou: “Nós somos assim. Onde vamos, montamos o circo. Vão acostumar-se”, disse. Elizo defende ainda aos jornalistas que o Podemos não é um partido de elite. É um partido “do povo”.