A organização ambientalista Greenpeace pede a imediata suspensão das negociações sobre o Acordo de Livre Comércio e Investimento entre os Estados Unidos e a União Europeia, depois de ter divulgado os documentos confidenciais das conversações.

“Nós estamos a tentar avisar as pessoas e apelamos à União Europeia para suspender as negociações e que se dê início ao debate. Pedimos acesso a todos os documentos, porque só temos uma parte desses documentos. Precisamos de abertura total porque as pessoas têm o direito de saber o que está a ser negociado”, disse hoje à Lusa Faiza Oulahasen, porta-voz da Greenpeace Holanda.

As 248 páginas referentes às conversações entre a União Europeia foram divulgadas esta segunda-feira pela secção holandesa da organização ambientalista, que alerta que o Acordo de Livre Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês) pode vir a ter um forte impacto na saúde, alimentação, medicina, legislação laboral e telecomunicações.

“Os documentos mostram-nos a verdade, ao contrário do que a União Europeia está a divulgar e o que é totalmente novo corresponde às posições dos Estados Unidos. É chocante ouvir a comissária Malmstrom (Comércio), assim como ministros em vários países a fazerem falsas promessas”, sublinhou a porta-voz da organização não-governamental sobre as negociações em curso.

Faiza Oulahasen, citando os documentos confidenciais agora tornados públicos, refere-se nomeadamente a políticas de proteção ambiental, saúde, segurança alimentar, alertando que as posições da União Europeia ou não são mencionadas à mesa das negociações ou “verificam-se mesmo” propostas que contariam o que já está estabelecido nos países europeus.

“Na União Europeia, os Estados Unidos não estão autorizados a vender certos produtos que não tenham sido testados e provados como sendo seguros: Na Europa, temos uma lista de 400 produtos tóxicos e que são proibidos, mas se forem adotadas as propostas norte-americanas podemos vir a ter nos nossos estabelecimentos comerciais, pesticidas, antibióticos ou produtos químicos que até ao momento estão proibidos.

Os documentos confidenciais divulgados pela Greenpeace referem-se à 12.ª ronda negocial sobre o Acordo de Livre Comércio e Investimento Transatlânticos (TTIP), que teve lugar em Bruxelas entre os dias 22 e 26 de fevereiro de 2016, tendo abordado os três pilares do acordo: acesso ao mercado, bases para a regulamentação e regras.

A seguir às reuniões de Bruxelas seguiram-se as negociações que decorreram na semana passada em Nova Iorque, onde os representantes dos Estados Unidos e da União Europeia EUA mantiveram os temas abordados na Bélgica.