A Cabify é concorrente da Uber e chega esta quarta-feira a Lisboa e arredores. Por enquanto. Os objetivos da startup espanhola passam por alargar a solução de mobilidade para outras cidades do país, anunciou o responsável pela Cabify em Portugal, Nuno Santos, em conferência de imprensa. Sobre as ameaças dos taxistas – que já anunciaram que vão recorrer à Justiça para impedir a tecnológica de operar – o responsável afirmou que está “empenhada em falar com todos os players do mercado”, incluindo Governo e taxistas.

“O nosso foco é no empenho, diálogo e abertura com todos os players deste setor. Respeitamos a opinião do setor do táxi e estamos empenhados em encontrar uma solução”, afirmou Nuno Santos, durante a conferência de imprensa.

Questionado pelos jornalistas, acrescentou que os diálogos incluem membros do Governo e as associações que representam os taxistas. É um momento de diálogo e o nosso objetivo é esse: dialogar”, afirmou, adiantando que as conversas já começaram.

A plataforma – tal como a concorrente Uber – recorre a “empresas certificadas para o transporte de motorista” (como as rent-a-car ou de animação turística) e “utilizam um processo rigoroso de seleção, incluindo uma revisão dos antecedentes dos motoristas, provas psicológicas e toxicológicas”. Em comunicado de imprensa, a startup espanhola diz que respeita “integralmente a legislação em vigor”. Os motoristas apresentam-se vestidos de forma uniforme e são avaliados pelos clientes e pela equipa da Cabify, explicou Nuno Santos.

“A escolha de Portugal como primeiro mercado de língua não castelhana decorreu, para a Cabify, do facto de os portugueses estarem no topo da lista que concerne à adesão às novas tecnologias, na abertura e na inovação e na opção por soluções alternativas que contribuem para melhorar a sua qualidade de vida”, afirma Nuno Santos, em comunicado de imprensa.

A Cabify está presente em 16 cidades de 6 países e Portugal é o primeiro país de língua oficial não castelhana a disponibilizar a aplicação gratuita para sistema operativo iOS e Android. Em Lisboa, disponibiliza apenas um serviço, o Lite, que é o mais utilizado a nível internacional, explicou Nuno Santos.

Como se diferencia da Uber? Permitindo a reserva antecipada de um serviço, incluindo nos arredores de Lisboa. Ou seja, quem estiver em Cascais ou numa cidade da margem sul, e quiser utilizar o serviço da Cabify pode fazê-lo mediante reserva. O segundo aspeto diferenciador é o custo da viagem – as viagens são cobradas tendo em conta a distância percorrida e não o tempo que demoram. Em Lisboa, o preço será de 1.12 euros por quilómetro, com uma tarifa mínima de 3,50 euros por viagem.

Como funciona? O utilizador pede um serviço escolhendo o ponto de origem – ou reservando-o para a hora que precisa -, escolhe o tipo de veículo, introduz o ponto de destino e a aplicação escolhe aquela que considera ser “a rota ótima”. Logo no momento, o utilizador fica a saber em quanto lhe fica a viagem, independentemente do tempo que a viagem demore. Ao contrário da Uber, também não haverá “lelião” em momentos de maior procura, ou seja, na Cabify não há tarifa dinâmica – os preços não aumentam quando a procura é maior.

Taxistas na plataforma para breve?

A Cabify não avançou com números em relação às empresas parceiras com que opera em Lisboa, mas avançou que quer crescer tanto em frota como em serviços. Em Espanha, a startup opera com quatro serviços. Além do Lite, tem o Executive, mais caro, o Group, para grupos, e o Taxi, que redireciona os clientes para empresas de táxi locais. Nuno Santos afirmou que “está previsto” fazer a mesma expansão de serviços em Lisboa, permitindo que os taxistas também usufruíssem da plataforma e que “está aberto ao diálogo” com o setor do táxi.

Contudo, logo no dia em que se soube que a Cabify ia operar no país, Florêncio de Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), adiantou ao Observador que, “se o Governo não agir” para impedir a empresa de operar, avança para tribunal, tal como fez com a Uber. Ou seja, apresenta nova providência cautelar.

Recorde-se que a 29 de abril a ANTRAL e a Federação Portuguesa do Táxi organizaram aquela que foi a maior manifestação do setor. Nas ruas de Lisboa, Porto e Faro, cerca de 6 mil taxistas fizeram uma marcha lenta contra a Uber e apelando a que o Governo interviesse para impedir a tecnológica de operar. Recebidos nesse mesmo dia no Parlamento, os taxistas queixaram-se de ter saído de “mãos vazias”.

A guerra entre o setor do táxi e as novas plataformas tecnológicas de mobilidade – onde agora também se inclui a Cabify – começaram em abril de 2015, quando a ANTRAL interpôs uma providência cautelar para impedir a Uber de operar.

A providência foi aceite pelo Tribunal da Comarca de Lisboa, mas a empresa manteve os serviços UberX e Uber Black ativos, porque alega que a providência foi dirigida à entidade jurídica errada (a notificação refere a Uber Technologies, nos EUA, quando a delegação portuguesa responde à sede da Uber na Holanda). O processo aguarda decisão do Tribunal da Relação.