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Óbito

Morreu Paquete de Oliveira. “Socialmente, podemos morrer e nascer várias vezes”

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O sociólogo e provedor do leitor do jornal Público morreu este sábado em Lisboa aos 79 anos. Era presidente do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior.

Paquete de Oliveira de pé, num discurso na Universidade da Beira Interior, de que era presidente do conselho geral.

António José/LUSA

Morreu José Manuel Paquete de Oliveira, aos 79 anos, em Lisboa. A notícia avançada foi pelo site do Público, jornal de que o sociólogo era provedor do leitor desde dezembro de 2013. Estava internado há dois dias no Hospital da Luz, onde acabou por morrer vítima de doença prolongada. Paquete de Oliveira era também presidente do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior.

Casado com Céu Neves, jornalista do Diário de Notícias, e pai de dois filhos, Paquete de Oliveira dizia ter horror a autobiografias e chegou a escrever no perfil do jornal Público que “fisicamente se morre uma única vez”, mas que socialmente se “pode morrer e nascer várias vezes”.

Muitas pessoas e amigos conhecem os meus outros e tão diferentes caminhos. Aqui, fixei-me naqueles que, de algum modo, explicam, o onde, agora, vim a desembocar: provedor do leitor do PÚBLICO. É sempre mais perigoso o trajeto que encetamos”, escreveu.

Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Gregoriana de Roma, doutorou-se em Sociologia da Comunicação e Cultura, no ISCTE em 1989, onde era professor jubilado e responsável por vários projetos de investigação nacionais e internacionais na área da comunicação.

Era provedor do jornal Público desde dezembro de 2013 — onde escrevia uma crónica semanal –, mas no início da vida adulta foi padre. Aos 23 anos já era chefe de redação do Jornal da Madeira, cargo que manteve até 1966. Ao Diário de Notícias, contou que teve “grandes problemas com a censura”.

Além de jornalista, editor e diretor de jornais e estações de rádio, Paquete de Oliveira foi membro de vários organismos de regulação mediática, como o Conselho Consultivo do ICAP, Presidente da SOPCOM e LUSOCOM e Provedor do Telespetador. Também foi comentador residente do programa de televisão “Casos de Polícia”, que foi transmitido na SIC entre 1992 e 1997.

A última crónica que assinou no Público foi publicada a 6 de junho, sob o título “Não há jornais de direita nem de esquerda em Portugal”.

Uma perda para a comunidade académica e para a comunicação social

O Presidente da República afirmou este sábado, numa mensagem enviada à Lusa, que a morte de José Manuel Paquete de Oliveira representa uma “perda para a comunidade académica e para o mundo da comunicação social portuguesa”. Marcelo Rebelo de Sousa recordou que Paquete de Oliveira, enquanto Provedor, “foi a voz de leitores e telespetadores”, além de um “contributo incontornável no jornalismo, na universidade, na investigação relativa aos «mass media»”. “O Presidente da República associa-se a este momento de tristeza endereçando à família as suas sentidas condolências”, lê-se na respetiva nota.

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