As emissões da Televisão Terrestre Digital (TDT) já arrancaram em Cabo Verde, anunciou hoje o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas cabo-verdiana, Abraão Vicente, considerando que se inaugura uma “nova fase” da televisão no arquipélago.

Em conferência de imprensa, o ministro disse que as emissões experimentais arrancaram na cidade da Praia, numa primeira fase que vai incluir toda as ilhas de Santiago (a maior do país), Maio, Sal e São Vicente, totalizando 12 concelhos e representando mais de 60% da população.

O ministro referiu que a segunda fase irá arrancar “em breve” nas outras ilhas de Santo Antão, são Nicolau, Boavista, Fogo e Brava.

As emissões podem ser captadas pelos cidadãos que tiverem o sistema incorporado de transformação para digital, que podem fazer a configuração manual, e os que não tiveram o sistema podem fazê-lo através da compra do boxe adequado.

“Quem já teve acesso pode ver que são sinais de alta qualidade, imagens com alta definição. Entramos numa nova fase da televisão em Cabo Verde”, salientou Abraão Vicente, indicando que estão disponíveis três canais, mas garante que depois haverá mais disponíveis.

Neste momento, as emissões analógicas e digitais estão em simultâneo, referiu o ministro, perspetivando que o “apagão” analógico comece faseadamente em setembro próximo para terminar em 2017.

O país “está um passo a frente e conseguiremos chegar a uma fase em que já não haverá produção de equipamentos para transmissão analógica e estaremos completamente adequados aos novos tempos”, prosseguiu.

Cabo Verde é um dos cinco países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que estão mais avançados em termos de implementação da TDT.

O ministro que tutela as Indústrias Criativas salientou, porém, que o país tem desafios, nomeadamente no que respeita a novos conteúdos bem como à empresa que vai gerir a instalação da TDT.

“São os próximos passos que o Governo vai trabalhar juntamente com a Agência Nacional das Comunicações (ANAC) para implementar o mais rapidamente possível e com a máxima qualidade desejada”, disse.

Relativamente às pessoas que não tiverem condições de comprar o boxe adequado de transformação para digital, Abraão Vicente disse que estão previstas no Orçamento do Estado isenções alfandegárias para importação, fazendo com que os descodificadores sejam acessíveis.

Os preços não passarão de dois mil escudos (cerca de 18 euros), garantiu o ministro, dizendo que não vai significar um custo muito grande para os cabo-verdianos, tendo em conta que os canais que já eram em sinal aberto vão continuar a sê-lo.

O ministro disse que a TDT vai eliminar as “zonas sombras” de acesso ao sinal da televisão no arquipélago e levar a televisão lá onde nunca as pessoas tiveram acesso.

“A abrangência do sinal digital é já por si só uma vantagem”, prosseguiu, afirmando que será também uma oportunidade de negócio para as empresas cabo-verdianas, para os partidos, governos, instituições e sociedade em geral.

Abraão Vicente referiu ainda foi foram investidos 11 milhões de euros para a instalação da TDT no país.

A TDT deveria arrancar em junho do ano passado em Cabo Verde, conforme determinou a União Internacional de Telecomunicações (UIT), mas “constrangimentos técnicos”, como o atraso na chegada de equipamentos, estiveram na origem de sucessivos adiamentos.