As pessoas transgénero já podem ser militares e fazer parte das tropas americanas. Até agora, o acesso ao Exército, Marinha e Força Aérea estava barrado a quem tinha uma identidade de género diferente da que lhe foi atribuída à nascença.

A abolição da proibição foi anunciada esta quinta-feira pelo secretário de Estado da Defesa norte-americano e era uma das últimas barreiras que faltava cair. No ano passado ficou decidido que as mulheres já podiam ir para as frentes de combate, posição que lhes estava antes negada por “não terem as condições físicas adequadas”. Barack Obama também condenou e aboliu a política Don’t Ask Don’t Tell (DADT), que impelia os militares homossexuais a não revelarem a sua orientação sexual, caso contrário seriam expulsos das Forças Armadas.

Transgénero = Transexual?

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Uma pessoa transgénero tem uma identidade de género diferente da que foi atribuída à nascença, quando se basearam no sexo com que nasceu. Ser transexual implica ter feito alguma mudança física, como uma cirurgia genital ou mamária. Quem é transexual é transgénero, mas há pessoas transgénero que não fazem alterações no corpo.

A lei aplica-se agora tanto aos militares já em funções, que estejam a fazer a transição para o outro género, como aos novos militares que chegarem às Forças Armadas. “É a coisa certa a fazer. Estamos a falar de americanos talentosos que estão a servir com distinção ou que querem ter a oportunidade de servir como militares. Não podemos permitir que haja barreiras à entrada das pessoas — barreiras que não têm nada a ver com as suas qualificações para aqueles lugares”, defendeu Ash Carter, em conferência de imprensa. “Temos de ter acesso a 100% da população”, rematou o secretário de Estado.

Segundo um estudo da RAND Corp., há entre 1320 a 6630 pessoas transgénero nas Forças Armadas, num total de 1,3 milhões de militares nas Forças Armadas. Até agora, essas pessoas escondiam a sua verdadeira identidade de género. Dentro desse grupo, a empresa estima que entre 30 a 140 irão fazer tratamento hormonal e de 25 a 130 farão alterações cirúrgicas.

Esta alteração foi estudada durante um ano e entra agora em vigor. Carter contou aos jornalistas presentes que, para a definição da lei, reuniu com pessoas transgénero. “Foi um processo muito educativo para muita gente no departamento de Defesa. Temos de ter em conta a natureza de toda a equipa militar”, sublinhou o responsável.