O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, respondeu nesta sexta-feira às críticas de Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que disse estar “preocupado” com a “reversão de reformas” que, na sua opinião, o governo liderado por António Costa está a fazer. “Baixar salários nunca foi uma reforma estrutural“, serve apenas para “empobrecer” e dar “competitividade de curto prazo“, atirou Manuel Caldeira Cabral.

As declarações de Caldeira Cabral foram feitas ao Observador e à TVI, à margem da conferência organizada pela CIP, nesta sexta-feira, para discutir o futuro da indústria europeia.

Questionando-se sobre de que reformas Klaus Regling estaria a falar, o ministro defendeu que “Portugal está, neste momento, a reforçar as reformas estruturais que interessam para a competitividade”. Isto porque “baixar salários nunca foi uma reforma estrutural – é apenas um sistema de empobrecer e de ganhar competitividade de curto prazo que em nada reforça a capacidade de crescimento do país”, defendeu Caldeira Cabral.

Reformas estruturais, “isso sim“, são as reformas que “ajudam as empresas a responderem ao desafio da digitalização e da inovação” ou a “absorverem o talento dos jovens portugueses”. São “reformas que demoram tempo“, reconhece Caldeira Cabral, mas “são essas [as reformas] que vão dar a resposta de competitividade que o país precisa”.

Portugal tem estado a desenvolver, com este governo, um conjunto muito ambicioso de reformas ao nível da simplificação e da facilitação da vida das empresas e ao nível da modernização do Estado, que são extremamente importantes para a economia. Também ao nível do empreendedorismo temos um programa integrado que inclui financiamento, apoio à rede de empreendedorismo e apoio à internacionalização como nunca foi feito.”

De resto, Manuel Caldeira Cabral defendeu que “os líderes europeus devem ver o resultado das políticas [seguidas até aqui] e devem refletir sobre onde o enfoque meramente na parte financeira levou a Europa, aos problemas que estão a existir na Europa”.

Os líderes europeus devem, também, olhar para a Europa e perceber que a Europa tem muito potencial de ser competitiva, nomeadamente nas indústrias mais criativas mas, também, nas áreas mais tradicionais, com o valor que têm as marcas europeias, e deve ser aí que se deve apostar.”

“Não me parece que seja o caminho traçado para a Europa nos últimos anos o mais interessante e, por isso mesmo, também se vê na Europa muitos líderes a falar de uma mudança no caminho europeu”, sumarizou o ministro da Economia.

No caso português, “o que estamos a fazer é, na parte financeira, continuar a trabalhar na consolidação das contas públicas de uma forma estrutural. E, por outro lado, estamos a trabalhar no reforço das posições a longo prazo. Houve grandes elogios por parte das instituições europeias em relação ao Plano Nacional de Reformas e, portanto, há um reconhecimento de que o governo está a acelerar reformas, a fazer reformas diferentes e, obviamente, terá de continuar a fazer reformas que reforcem a competitividade do país no longo prazo”, concluiu.

Manuel Caldeira Cabral falou, também, sobre o resultado do referendo britânico e mostrou-se confiante: “a saída do Reino Unido [da União Europeia] não deverá pôr em causa os programas que temos para a indústria nem deverá pôr em causa uma relação que já é antiga que Portugal tem com o Reino Unido e que deverá permanecer“.

“O Reino Unido estará no Mercado Único, penso que é esse o desejo das pessoas que quiseram sair da União Europeia, portanto continuaremos a colaborar na indústria, no turismo, em várias áreas, e teremos de fazê-lo no quadro europeu e no quadro do acordo que terá de ser firmado com o Reino Unido”, rematou Manuel Caldeira Cabral.