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Tony Blair já reagiu à divulgação do relatório sobre a guerra do Iraque, que aponta o antigo primeiro-ministro como um dos principais responsáveis pelo envolvimento do Reino Unido no conflito armado. Numa longa conferência de imprensa, Blair pediu desculpas e admitiu estar arrependido por aquela que considerou ser a decisão “mais difícil” e “agonizante” da sua vida. “Sinto mais pena, arrependimento e culpa do que poderão alguma vez saber ou acreditar”, confessou, visivelmente emocionado.

Blair, que admitiu ter tomado a decisão com “coração pesado”, explicou que, na altura, parecia haver evidências de que o Iraque tinha armas de destruição massiva. Perante a possibilidade de um atentado no Reino Unido, o antigo primeiro-ministro viu-se na obrigação de agir para proteger o seu país. “Não posso dizer que tomei a decisão errada”, disse, citado pelo jornal The Guardian.

Questionado pelos jornalistas, já no final da conferência, Blair disse que tinha medo que, depois do 11 de Setembro, os norte-americanos quisessem ir atrás da Al-Qaeda sem recorreram à ajuda de aliados. Como queria construir “uma coligação”, como aconteceu no Afeganistão, o ex-governante quis que os Estados Unidos da América soubessem que o Reino Unido os apoiava. “Isso funcionou bem no Afeganistão”, disse.

Rejeitando a ideia de que os 179 soldados morreram em vão, Blair disse “que nunca iria concordar que as pessoas fizeram um sacrifício em vão”. Para o antigo primeiro-ministro, os militares britânicos “morreram na batalha contra o terror, a batalha que define o nosso tempo”. “O mundo era e é, na minha opinião, um lugar melhor sem Saddam Hussein”, frisou, acrescentando que, se Saddam tivesse continuado no poder, poderia ter sido criada “outra Síria”.

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“Sei que algumas das famílias não podem e não irão aceitar isto. Sei que existem alguns que nunca poderão esquecer ou perdoar-me por tomar esta decisão e que pensam que o fiz de forma desonesta.” Apesar disso, Tony Blair frisou que, como o o relatório realizado por John Chilcot deixou claro, “não houve mentiras”. “O Parlamento e o Governo não foram enganados, não houve um compromisso secreto com a guerra.” Porém, admitiu que, se fosse hoje, teria planeado as coisas de outra forma.

Discurso de Blair: “Divagações de um maluco”

Reg Keys, pai de um dos soldados que morreu durante a missão no Iraque e candidato independente às eleições de 2005, disse em entrevista à BBC que Blair é um “ator consumado” e que os seus comentários não passaram de “divagações de um maluco”.

Considerando que o ex-governante enganou o Parlamento, Keys garante que Blair se recusa a receber os familiares daqueles que morreram no Iraque, apesar de dizer que se sente arrependido. Na opinião de Keys, Blair sente foi exonerado por Chilcot, apesar de não ser isso que o relatório refere.

Reg Keys garante que os familiares dos soldados vão levar o relatório a advogados e que irão tomar todas as medidas necessárias para que seja feita justiça.

Atualizado às 16h30