Este pode ser um ano dourado (a “reluzir” de títulos) para a Seleção Nacional. Os “mais velhos” venceram o Euro 2016 este mês, a miudagem dos Sub-17 também é campeã da Europa no seu escalão, enquanto os Sub-19 tentavam hoje chegar à final do Europeu da categoria. E ainda falta saber o que faz a “remendada” seleção olímpica, que vai estar no Brasil.

O adversário da meia-final no Euro Sub-19 era a França, que tem sido (até aqui) a melhor seleção da prova. De longe. Quem vencesse, defrontaria a Itália (derrotou esta quinta-feira a Inglaterra por 2-1) na final de domingo (19h30), a disputar no Rhein-Neckar-Arena, em Sinsheim.

E começou bem a tentativa de Portugal para chegar a Sinsheim. A Seleção marcou cedo, logo aos três minutos de jogo. Guga, o ruço do Benfica no meio-campo português, foi o escolhido para bater um livre à direita do ataque, a poucos metros da área, cruzou a bola para o primeiro poste, onde Pedro Pacheco (central do Basileia, que substituiu no onze o habitual titular e capitão Rúben Dias) se antecipou à marcação francesa e desviou de cabeça para o fundo da baliza do desamparado (só acompanhou o cabeceamento do luso-suíço com os olhos) Bernardoni.

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Mas a França haveria de empatar (10′) igualmente cedo e, tal como Portugal, no primeiro remate que fez à baliza. Mbappé, na esquerda do ataque, ultrapassou Diogo Dalot (que tem apenas 17 anos e é muito “tenrinho” para marcar um sprinter como o do Mónaco) na linha de fundo, cruzou rasteiro para a área, e foi aí que o ponta-de-lança Blas surgiu a desviar “nas barbas” de Pedro Silva. 1-1 no estádio Carl-Benz, em Mannheim.

Ainda na primeira parte, a França colocar-se-ia (38′) na frente do marcador, mas o árbitro Radu Petrescu anulou o golo. E bem. Tousart, o capitão francês que pensa todo o futebol dos Bleus, bateu um canto à esquerda, colocou a bola tensa no primeiro poste e Diop — o enormíssimo central Diop! — nem precisou de saltar para desviar de cabeça para dentro da baliza. Sim, não precisou de saltar por ser tão alto. Mas também não precisou de saltar porque… empurrou pelas costas o seu marcador mais direto, o ala português Buta. Assim não vale, Diop.

Na segunda parte, Portugal até entrou mais perigoso do que a França, mais rematador — João Carvalho (46′) e Xande (53′) tentaram a sorte, sem pontaria nas botas –, mas não havia maneira de fazer a bola entrar.

Mas atenção aos franceses: pela amostra até agora no Euro, Mbappé (Mónaco) e Augustin (PSG) são capazes resolver o jogo a qualquer momento, sobretudo se tiverem espaço para correr (e como eles correm!) em contra-ataque. Até aqui, Pedro Silva (Sporting) tinha chegado e sobrado para as investidas dos extremos da França. Até aqui.

O problema é que Pedro não chegou para tudo. Aos 67′, Augustin recebeu um passe de Tousart no centro do ataque, tocou a bola (a um só toque) para a direita, e foi da direita que o lateral Maouassa cruzou para a área. Não houve quem não falhasse: Blas falhou o desviou para golo; Pedro Pacheco e Francisco Ferreira falharam no corte. Correção: houve quem não falhasse. E foi, claro está, Mbappé, que veio a toda a velocidade da esquerda do ataque para dentro da área, encostando para o 2-1 ao segundo poste, sem ninguém que o importunasse.

Se ao segundo golo o apuramento para a final se complicou, ao terceiro a missão portuguesa era mais do que hercúlea. E o terceiro teve os mesmos protagonistas (fora Blas, que entretanto deu o lugar a Thuram, filho do antigo internacional francês do qual herdou o apelido e o jeito para “a bola”) do golo anterior. O marcador do 3-1 foi o mesmo: Mbappé. A assistência foi novamente de Maouassa, mas desta feita com as mãos, depois de um lançamento lateral (longuíssimo) à direita. Quem falhou? Falharam Ferreira e Pacheco, centrais portugueses, que não saltaram ao primeiro poste para cortar a bola, permitindo que o baixinho Mbappé metesse a cabeça onde não era suposto, desviando à vontade para o golo que praticamente coloca a França na final. Foi aos 75′.

Até final, a França chamou a si a bola e Portugal não mais lhe tocou. A final estava no bolso dos franceses e por lá continuou. Na antevisão desta meia-final, o central Diop afirmou que queria “vingar” a derrota da França no Euro 2016 frente a Portugal. E “vingou”, não há como negá-lo.

O que Diop não sabe (apesar do corpanzil, tem apenas imberbes 18 anos) é que Europeus nas camadas jovens Portugal tem uns quantos. E Mundiais também. Só no futebol sénior é que não tinha nenhum e aquele — mais a mais vencendo a anfitriã em Paris — soube-nos pela vida. Ainda sabe, semanas depois. E o que Diop também não se pode esquecer é que aqueles que ele hoje “vingou” na meia-final do Euro Sub-19 celebraram (ou melhor: a imprensa e os adeptos franceses celebraram) a vitória no Euro 2016 antes do começo do jogo contra Portugal. E perderam. E esta França “vingativa” ainda terá que defrontar a Itália no domingo…