Os incêndios em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu, já obrigaram este sábado mais de uma dezena de pessoas a abandonar as suas casas e destruíram pelo menos uma habitação, segundo disse à Lusa o presidente da autarquia.

“A população está muito aflita mas neste momento é ainda muito difícil fazer um balanço. Sabemos que há pelo menos uma casa ardida e que entre 12 a 15 pessoas foram deslocadas das suas casas”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, Vítor Figueiredo.

Às 13h deste sábado, o autarca tinha conhecimento de quatro situações de incêndio: um fogo principal na freguesia de São Martinho das Moitas e outros três em Manhouce, na Pena de São Macário e Lorim. “Estes fogos vieram todos do de Arouca”, explicou o autarca que ao início da madrugada de hoje se queixou da falta de meios para combater as chamas.

Durante a manhã, houve um reforço de meios aéreos, o que permitiu acalmar a população de Tusmil, “que esteve em risco de ficar isolada”, sublinhou. A situação meteorológica melhorou não havendo hoje “nem muito vento nem muito calor”.

A maioria dos bombeiros que, desde terça-feira, combatia as chamas eram voluntários e já estavam exaustos, mas houve também este sábado um reforço de equipas.

Arouca/S. Pedro do Sul é a situação que mais preocupa

O incêndio em Arouca, distrito de Aveiro, que já passou para o município vizinho de S. Pedro do Sul, distrito de Viseu, é esta tarde aquele que mais preocupa, disse o adjunto de operações nacional da Proteção Civil.

“Neste momento, o [incêndio] mais preocupante e o que está a ocupar a maioria do nosso dispositivo é o incêndio em Arouca, que já passou para S. Pedro do Sul”, afirmou à Lusa Carlos Guerra, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Segundo o ajunto de operações, este incêndio, que deflagrou na segunda-feira à tarde na freguesia de Janarde, Arouca, distrito de Aveiro, está a ser combatido por dez meios aéreos e tem alocados “559 operacionais e 177 veículos”.

Na página na internet da ANPC, às 15:30, esta era a única ocorrência importante a registar, sendo que os outros incêndios rurais verificados no território — mais de uma centena -, acrescentou Carlos Guerra, “são resolúveis em pouco tempo”.

A diminuição da intensidade do vento nos últimos dois dias, disse, “foi uma preciosa ajuda” que a Proteção Civil teve na sexta-feira, bem como a chegada dos meios aéreos de Marrocos e Itália.

Carlos Guerra referiu, contudo, que se mantém as condições de risco de incêndio florestal, porque há ainda “temperaturas acima dos 30 graus, ventos com intensidade superior a 30 quilómetros/hora e humidade relativa inferior a 30”.

As estimativas do sistema europeu de informação sobre fogos florestais (EFFIS, na sigla em inglês) da Comissão Europeia apontam para uma área ardida de cerca de 116.017 hectares na semana terminada na sexta-feira, em Portugal. Os dados do EFFIS, disponíveis no seu ‘site’, baseiam-se em informação recolhida através de imagens de satélite.