Manuel Monteiro diz-se “profundamente chocado” por ver “a direita portuguesa ou alguns responsáveis da direita portuguesa mais preocupados com os seus negócios e com os seus interesses particulares do que com os interesses do país”. As críticas duras do ex-líder do CDS, em entrevista à SIC Notícias, surgem na sequência da polémica participação de Hélder Amaral, do CDS-PP, no congresso do MPLA, onde o responsável fez um discurso que terá deixado Assunção Cristas “chocada”, segundo o i.

Perante o discurso de Hélder Amaral em Angola, em que o responsável do CDS disse que o partido está “muito disponível para fortalecer a relação” entre o partido e Luanda, Manuel Monteiro tem uma leitura muito crítica:

“Este partido, ao tomar estas posições, está, no fundo, na minha perspetiva — e eu assumo totalmente a responsabilidade pelo que vou dizer — a fazer uma cedência aos interesses pessoais e de negócios do seu anterior presidente, o Dr. Paulo Portas”, afirmou Manuel Monteiro em entrevista à SIC Notícias na noite de quinta-feira.

“Qualquer dia, veremos o CDS num congresso do Partido Comunista chinês. E, aí, também, poderemos dizer que pragmaticamente temos de aceitar porque como temos muitas relações económicas com a China, como a China tem grandes investimentos em Portugal, é dona de [parte da] EDP então o CDS também tem ligações à China”.

Manuel Monteiro diz que “estamos a atravessar uma fase crítica e negativa no país e custa-me ver a direita portuguesa, ou os seus responsáveis, estão mais preocupados com os seus negócios e interesses particulares do que propriamente com os interesses do país”, atirou.

O ex-líder do CDS, que já não pertence ao partido, acrescenta que como “português conservador que deu a cara por um partido de valores, não pode aceitar nem calar o branqueamento daquele que foi comportamento do MPLA e do seu presidente. “E não posso aceitar a cedência em relação a alguém que fez tudo para ter um partido único e perseguir as pessoas”, afirmou.

“Um país que se verga, que se cala, e uma Direita que se vende aos interesses de alguns dos seus dirigentes é uma direita que não é digna de apregoar o conservadorismo, os princípios cristãos, os valores e os princípios”, atirou, concluindo ao dizer que respeita que um “empresário queira ganhar dinheiro e queira fazer negócios, mas não posso aceitar ver políticos comprometidos com esses negócios, mesmo quando deixam de ser políticos”.

Em entrevista ao i, Manuel Monteiro repete as críticas a Paulo Portas, aproveitando a polémica visita de Hélder Amaral a Angola. Segundo o mesmo jornal, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, está “chocada” com Hélder Amaral.