Operação Marquês

Hélder Bataglia diz que não quis transferir dinheiro para Sócrates

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O empresário angolano foi constituído arguido em Luanda. A revista Sábado, que teve acesso ao auto de interrogatório, revela que Hélder Bataglia diz que o dinheiro transferido não era para o ex-PM.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Hélder Bataglia terá afirmado que nunca teve a intenção de transferir fundos monetários para José Sócrates por intermédio de Carlos Santos Silva, noticiou a revista Sábado ao início da noite desta quarta-feira. De acordo com o auto elaborado pela Direção Nacional de Investigação e Acão Penal (DNIAP), em Luanda, na sequência de uma carta rogatória emitida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), o ex-líder da Escom terá afirmado que “não fez ou teve propósito de fazer qualquer atribuição de valores ou outra vantagem a José Sócrates Pinto de Sousa, diretamente ou por intermédio de Carlos Santos Silva ou outros, a troco ou por causa seja do que for”.

As declarações são relevantes, já que reforçam a tese de defesa de José Sócrates, segundo a qual o ex-primeiro-ministro será alheio às transferências recebidas por Carlos Santos Silva nas suas contas bancárias da Suíça. O procurador Rosário Teixeira, por seu lado, entende que tem provas de que as contas de Santos Silva são, na realidade, de José Sócrates.

Através da diligência verificada no DNIAP, em Luanda, a 21 de abril, e que terá durado 9 horas, Bataglia — que mora em Luanda e recusou-se vir a Portugal para ser interrogado pelo DCIAP devido ao receio de ser preso –, foi constituído arguido na Operação Marquês por alegada prática dos crimes de corrupção ativa para ato ilícito, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada. Ficou com a medida de coação de termo de identidade e residência. É também numa perspetiva de defesa dos atos que lhe são imputados pelo DCIAP que devem ser analisadas as declarações de Bataglia

As transferências de Batglia aqui em causa terão sido feitas através das sociedades offshore Markwell Finance e Monkway International, e totalizarão cerca de 12,5 milhões de euros. Estes fundos, transferidos por Bataglia, terão tido origem na ES Enterprises, tal como o gestor afirmou ao Expresso.

O circuito financeiro terá sido o seguinte e inclui contas de Joaquim Barroca (administrador do Grupo Lena e igualmente arguido na Operação Marquês):

Joaquim-Barroca_04

Há também indícios de uma nova transferência de cerca de 3 milhões de euros de Hélder Bataglia para as contas de Carlos Santos Silva, como pode verificar neste Especial do Observador.

De acordo com Sábado, o gestor que pertenceu ao Grupo Espírito Santo terá afirmado que apenas teve relações familiar indiretas com José Sócrates, em virtude de ter tido uma relação amorosa com uma prima do ex-primeiro-ministro e da qual resultou uma filha menor. Bataglia fez questão de afirmar que não deve ter falado mais do que seis vezes com José Sócrates ao longo da sua vida.

O auto de interrogatório de Hélder Bataglia terá sido enviado para Portugal durante o mês de agosto para a Procuradoria-Geral da República, tendo sido anexado recentemente aos autos da Operação Marquês.

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