O comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros da União Europeia considerou “fundamental” que o processo de suspensão parcial de fundos a Portugal e Espanha avance rapidamente, e as afirmações levaram a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) a reagir. Em comunicado, a central sindical referiu que as declarações confirmam a “postura de chantagem da União Europeia”.

Pierre Moscovici confirmou, esta sexta-feira, que a Comissão Europeia pretende “que o diálogo estruturado previsto com o Parlamento Europeu tenha lugar o mais rapidamente possível. Não há tempo a perder”. A CGTP-IN esclareceu que, do seu ponto de vista, a intenção de acelerar o processo “constitui mais uma ingerência inaceitável em vésperas da proposta de Orçamento do Estado para 2017”. A CGTP-IN acrescentou que “rejeita e combaterá esta política”, uma vez que considera que irá levar a um “retrocesso social e económico”,

Para a CGTP-IN o momento que vivemos não se compadece com cedências à União Europeia, mas com a aceleração do processo de reversão das medidas anti-sociais e anti-laborais impostas pelo anterior governo PSD/CDS.”

Apesar de o Ecofin, que reúne os ministros das Finanças da zona euro, ter confirmado a suspensão das multas a Portugal e Espanha pelo não cumprimento das metas para o défice público em 2015, o congelamento parcial de fundos é automático, o que poderá “alterar o rumo decidido pelo povo nas últimas eleições”, defende a CGTP. A CGTP acusa a União Europeia de ter duas faces: uma “totalitária com países como Portugal” e outra “submissa e rastejante perante outros de maior dimensão como a Alemanha”.

A suspensão de fundos estruturais aos dois países ibéricos vai ser discutida pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu. Uma decisão será tomada durante setembro.

Texto editado por João Cândido da Silva