Milícias na República Centro-Africana mataram pelo menos 20 pessoas e feriram muitas mais em ataques no centro do país, disse hoje uma fonte policial.

“Pelo menos 20 pessoas foram mortas e muitas outras feridas em ataques cometidos na sexta-feira por elementos da ex-Séléka (milícias) contra Kaga Bandoro [60 quilómetros a norte da capital] e aldeias próximas, provocando o medo entre os habitantes, que fugiram para o mato ou para localidades vizinhas”, afirmou a mesma fonte, sob anonimato.

Estes ataques prosseguiram no sábado e “fizeram 19 mortos nas aldeias, entre as quais Ndomété, muito afetada por esta nova violência” ao redor de Kanga Bandoro, acrescentou a mesma fonte.

Num comunicado, a missão da ONU no país centro-africano (MINUSCA) indicou ter “decidido reforçar o seu dispositivo militar em Kaga Bandoro e em Ndomété para prevenir o agravamento da situação”.

“A força MINUSCA já interveio em Ndomété para separar os beligerantes, a fim de evitar as repercussões sobre a população civil, assim como em Kaga Bandoro, para reforçar a segurança na localidade, nomeadamente a do hospital de deslocados”, acrescenta no comunicado a MINUSCA, missão da ONU que conta com cerca de 10.000 capacetes azuis.

Kaga Bandoro é o bastião do grupo rebelde Frente Patriótica para o Renascimento da República Centro-Africana (FPRC), de Noureddine Adam, um grupo armado que surgiu da ex-coligação rebelde Séléka.

“Os assaltantes, fortemente armados, incendiaram dezenas de casas que pilharam nestas aldeias, levando bens e animais domésticos. Os habitantes que puderam seguiram pela estrada de Bangui ou refugiaram-se em Sibut”, 60 quilómetros a sul da capital, indicou ainda.

Estes ataques, segundo os habitantes de Kaga Bandoro em fuga para Sibut, serão uma resposta às informações do reagrupamento de elementos anti-Balaka nas aldeias ao redor de Kaga Bandoro, preparando-se para desalojar os ex-Séléka, acusando-os de tomar a população como refém, acrescentou.

A tomada do poder pelos Séléka em 2013, depois da destituição do ex-Presidente François Bozize, um cristão, precipitou a República Centro-Africana e os seus 4,5 milhões de habitantes no caos, com uma contraofensiva de milícias anti-Balaka, maioritariamente cristãs.

O conflito fez milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados, segundo as Nações Unidas.

O Presidente eleito no início do ano, Faustin-Archange Touadéra, tenta concretizar um programa de desarmamento dos grupos armados.