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DGS conclui que Garcia de Orta cumpre com regras de isolamento “tanto quanto condições físicas do hospital permitem”

A Direção Geral de Saúde (DGS) encontrou falhas no Hospital Garcia de Orta, mas, ainda assim, conclui que o hospital cumpre com as regras de isolamento no caso de doentes infetados.

DGS afirma que "o hospital está subdimensionado para a população que serve e que recebe através do serviço de urgência"

MANUEL MOURA/LUSA

Autor
  • Marlene Carriço

A Direção Geral de Saúde (DGS) confirma que há situações em que, no Hospital Garcia de Orta, doentes infetados são colocados em enfermarias juntamente com doentes não infetados, mas conclui que o hospital de Almada cumpre com as regras de isolamento dos doentes infetados.

Tanto quanto as condições físicas do hospital permitem, são cumpridas as regras determinadas pelo Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos em matéria de isolamento de doentes infetados“, lê-se no relatório elaborado após visita técnica de avaliação da qualidade e segurança às condições de controlo da infeção do Hospital Garcia de Orta, realizada na segunda-feira, entre as 11h00 e as 14h45, na sequência da notícia do “i”, que dava conta de situações em que doentes infetados partilhavam enfermarias com doentes não infetados e, inclusive, com pacientes que foram submetidos a cirurgias, estando, por isso, ainda mais debilitados.

Quando os quartos de isolamento estão ocupados, o que é frequente e sempre que um doente infetado é internado numa destas enfermarias, a mesma é transformada em quarto de isolamento, com desperdício de 2 camas, ou o doente é colocado na cama junto da janela, com bloqueio da cama do meio e separação por cortina“, acrescentam os técnicos da DGS.

Ao jornal “i”, o bastonário da Ordem dos Médicos, reagindo ao relatório da DGS, afirma que uma cortina “é um remendo, mas não é isolamento”.

A DGS refere ainda, no mesmo relatório, que sempre que há um doente infetado numa enfermaria “há uma limitação do número de visitas a 2 por doente, sendo que estas são recebidas por auxiliar de ação médica ou enfermeira, para orientação de cuidados preventivos e proteção”. Mas os técnicos da DGS acrescentam que não encontraram “evidência deste facto no processo clínico e interrogado um doente que partilha uma enfermaria com um doente infetado, aquele não possuía informação de como se proteger da transmissão de infeção”.

Já em relação aos requisitos relativos às precauções básicas de controlo de infeção, recomendadas a nível nacional, “no que se refere a colocação dos doentes, higienização das mãos, etiqueta respiratória e equipamento de proteção de infeção, verificou-se que os mesmos são cumpridos”. E também “existem, na unidade de cuidados intensivos, normas de procedimento interno em matéria de limpeza e desinfeção de cada unidade de doente e de limpeza e recolha de resíduos sólidos”.

O conselho de administração referiu ainda à DGS que doentes infetados não são colocados na mesma enfermaria com doentes pós-operados.

E perante os factos encontrados e reportados pela instituição, a DGS conclui que “não se encontrou evidência que demonstre a veracidade” das informações noticiadas na segunda-feira.

O conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, logo na segunda-feira, já tinha vindo esclarecer, através de comunicado, “que todos procedimentos de prevenção e controlo de infeção estão a ser cumpridos na instituição de acordo com as normas nacionais e internacionais”.

Com 540 camas, 80 camas de medicina e oito camas de cuidados intensivos, o hospital situado em Almada conta com cinco quartos de isolamento, um dos quais na unidade de cuidados intensivos. Atualmente estão a ser criados mais quatro quartos de isolamento, adianta a DGS, mas a administração da unidade hospitalar ainda considera “um número manifestamente insuficiente”.

A DGS constata, por último, algo que há muito é conhecido e afirmado: “O hospital está subdimensionado para a população que serve e que recebe através do serviço de urgência”.

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