O Governo de Cabo Verde e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) assinaram esta quinta-feira um acordo de cofinanciamento de um plano de emergência de combate e prevenção ao vírus zika no país, avaliado em 2,4 milhões de euros.

O acordo foi assinado, na cidade da Praia, entre o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, e o representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) no arquipélago, Mariano Salazar Castellón, na qualidade de agência que irá executar e gerir os fundos.

O plano de emergência de combate ao zika em Cabo Verde está avaliado 2.4 milhões de euros, sendo que o BAD disponibiliza 904 mil euros e o Governo cabo-verdiano 1,5 milhões de euros.

O anúncio do financiamento do BAD foi feito a 14 de setembro, dia em que a instituição também indicou que, além de Cabo Verde, a Guiné-Bissau será outro país beneficiado com 904 mil euros para apoiar o combate e prevenção ao vírus zika.

Em Cabo Verde, o plano, que será implementado até 31 de dezembro de 2017, irá incidir na preparação, deteção, resposta, monitoramento e pesquisas sobre o vírus zika.

“As atividades visam fortalecer a capacidade do país para detetar e responder adequadamente à infeção do vírus zika e outras doenças virais transmitidas por mosquitos”, lê-se no acordo, indicando que irá também incluir comunicação e mobilização social e comunitária.

Uma das componentes e objetivos do plano será implementar o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e da Vigilância e Resposta Integrada às Doenças em Cabo Verde, em conformidade com a agenda de segurança sanitária mundial, prosseguiu o memorando.

A vigilância e preparação serão para todo o país, mas o plano terá como foco principal as áreas de maior risco, como a cidade da Praia, na ilha de Santiago, as ilhas do Fogo, Maio e Boavista.

Cabo Verde detetou o vírus zika em outubro do ano passado e até fevereiro deste ano registou cerca de 7.600 casos suspeitos de infeção, entre elas 165 mulheres grávidas e 14 casos de microcefalia associados à doença.

O vírus Zika, que está presente em 60 países, é transmitido através da picada de mosquitos e pode provocar complicações neurológicas, sobretudo anomalias no desenvolvimento cerebral (microcefalia) em fetos de mães infetadas.

Entre 2009 e 2010, Cabo Verde sofreu uma epidemia de dengue, durante a qual foram registados cerca de 21 mil casos suspeitos, sendo que 174 evoluíram para a forma mais grave da doença, resultando em quatro mortes.

Cabo Verde é considerado pela OMS como um país de “alto risco”, tendo em conta a existência do vetor responsável pela transmissão de outras doenças provocadas por mosquitos, como febre-amarela, paludismo, chikungunya.