Durão Barroso vai deixar de ser professor da Universidade de Genebra e do Instituto de Altos Estudos Internacionais e do Desenvolvimento no fim deste ano. O contrato do ex-presidente da Comissão Europeia não foi renovado, revela o jornal suíço Le Temps, porque Barroso se tornou chairman da Goldman Sachs durante o verão.

“O contrato de José Manuel Barroso era por dois anos e termina no final deste ano. Não havia qualquer disposição contratual que previsse a renovação”, disse ao jornal o vice-reitor da universidade, Jacques de Werra, tentando assim desmentir que o novo emprego do português tenha estado na origem desta decisão.

Mas a ida de Durão para a Goldman Sachs não foi vista com bons olhos na instituição de Genebra, onde o ex-primeiro-ministro português estudou e foi professor assistente. Dusan Sidjanski, um antigo professor de Barroso, disse ao Le Temps que encara o novo emprego do ex-aluno como “uma vergonha para a Europa” e “para a sua família”. Agora com 90 anos, Sidjanski sente-se traído. “Cortei todos os laços com ele. Utilizou as instituições europeias para se lançar para o pior da banca mundial. Não consigo acreditar que tenha destruído desta forma a sua reputação”, disse o académico.

Antes do anúncio público do cargo na Goldman Sachs, Durão Barroso disse à universidade que ia ter menos tempo disponível agora, mas não revelou que emprego ia ter. “Disse-nos apenas que não nos ia agradar”, afirma René Schwok, diretor do Global Studies Institute, onde o português dava aulas. Barroso começou a dar aulas na universidade em 2015 depois de ter abandonado o cargo de presidente da Comissão Europeia. Um dos seminários dados pelo político português foi as “Crises Múltiplas da UE, Consequências e Perspetivas”.

Jacques de Werra sublinha que Barroso “cumpriu plenamente o seu contrato” e repete que “não estava previsto que se prolongasse para lá de 2016”. O vice-reitor enviou uma carta de agradecimento a Durão Barroso, que não respondeu às perguntas do jornal suíço.