A cotação do petróleo subiu para mais de 50 dólares em Londres, esta quarta-feira, uma valorização de 8% num só dia. Não é um dia qualquer — o cartel da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) está reunido em Viena, Áustria, e já houve um acordo concreto para reduzir as quotas de produção e tentar acabar com o calvário dos preços baixos.

É o primeiro corte da produção desde a crise financeira internacional, que rebentou há oito anos. O cartel vai passar a produzir menos 1,2 milhões de barris por dia, para 32,5 milhões por dia, com objetivos definidos para cada membro.

A Indonésia pediu para suspender a sua pertença à OPEP, mas o corte de 1,2 milhões de barris expurga esse efeito, ao contrário do que foi noticiado.

Além do corte da produção por parte dos membros da OPEP, a Arábia Saudita diz que há um acordo para que outros exportadores não-OPEP reduzam a produção também, incluindo a Rússia.

A Rússia já veio dizer que está disponível para reduzir a sua produção em 300 mil barris por dia, mas só gradualmente devido a “questões técnicas”. Este corte da produção está dependente de a Rússia acreditar que todos os membros da OPEP estão a cumprir com as novas metas. Daqui a 10 dias irá haver uma reunião entre a OPEP e países não-OPEP (como a Rússia).

As últimas cotações do petróleo:

  • Crude West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque: +8,47% para 49,06 dólares
  • Light-Sweet Crude (Brent), negociado em Londres: +8,17% para 50,17 dólares por barril

Será a Arábia Saudita a responsabilizar-se pela maior parte dos cortes da OPEP, o que está a ser lido como uma admissão de fracasso na estratégia de inundar o mercado com petróleo barato para penalizar os produtores norte-americanos (leia mais em Petróleo barato. O tiro da OPEP está a sair pela culatra).

Ainda assim, apesar deste acordo histórico, vários especialistas têm dito que a OPEP não é tão determinante para os preços do petróleo como foi no passado e que uma redução das quotas de produção não irá, por si só, levar a uma subida sustentada dos preços. Além disso, resta saber se todos os membros vão cumprir à risca as metas.

Ainda assim, na opinião de bancos de investimento como o Goldman Sachs e o Barclays, um acordo concreto na OPEP chegaria, pelo menos, para manter os preços acima dos 50 dólares nos próximos tempos — ainda longe dos máximos de 2014 mas, também, bem acima dos preços na casa dos 30 dólares que se registaram em 2015.