Boas Festas

As bactérias e a ceia de Natal. Como expulsá-las da mesa

As bactérias não perdem uma boa ceia de Natal e, numa época em que se cozinha tanto e para tanta gente, esquecemos-nos delas. O Observador revela-lhe os truques para expulsá-las da mesa.

@blog_nostillo/Twitter

As bactérias estão por toda a parte e, como não podia deixar de ser, não perdem uma boa ceia de Natal. Para saber como evitar que os microrganismos nos estraguem as Festas, o Observador falou com Paula Teixeira, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia, no Porto.

É certo que a segurança alimentar deve ser uma preocupação durante todo o ano. Contudo, na época natalícia os erros alimentares parecem agravar-se. A pressa e a confusão de organizar uma ceia de Natal não ajudam.

Cozinhar para um grande número de pessoas, em casa, não é fácil. Não cabe tudo no frigorífico e, num ambiente de alguma confusão e stress, algumas regras de higiene podem ser esquecidas.

A investigadora garante que as intoxicações alimentares aumentam durante a quadra natalícia, provocadas pela ingestão de alimentos com bactérias e outros microrganismos prejudiciais à saúde. Os sintomas mais comuns são as dores abdominais, vómitos, diarreia, febre e cansaço.

O que fazer para expulsar as bactérias

O que comemos no Natal? Ora, o bacalhau e o peru estão no topo da lista. Além disso há sempre uma boa canja de galinha, assado, “roupa velha”, queijos, frutos secos, doces e mais doces. O mais importante é a “qualidade e frescura”. Os alimentos que integram os pratos principais devem ser cozinhados a altas temperaturas que permitam destruir as bactérias. Em relação ao peru, Paula Teixeira explica que a ave deve ser descongelada lentamente no frigorífico e, depois, assada lentamente.

A decoração da mesa de Natal engloba os mais diversos doces. Mas será que os podemos deixar em exposição? Os bolos sem recheio ou creme e os fritos, sim. “Quantidades elevadas de açúcar previnem o crescimento das bactérias“, explica a investigadora. Mas os doces de colher devem ficar pela cozinha, no frigorífico, e só ser revelados na hora da sobremesa. Má notícia para as crianças é que os pais devem proibir o “raspar” das taças onde são confecionados os doces: “Esta gulodice deve ser terminantemente proibida”, porque os ovos (crus) podem estar contaminados.

As sobras devem ser guardadas no frigorífico e consumidas no prazo de dois dias. “Muitos alimentos poderão continuar seguros ao fim de quatro, cinco ou mais dias, mas é melhor não arriscar, uma vez que também já não serão tão saborosos” garante Paula Teixeira. A canja, se for reaquecida, deve ferver durante alguns minutos, para garantir que as bactérias são destruídas.

Em suma, existem quatro regras a seguir para uma ceia de Natal segura:

  • Lavar as mãos, os utensílios, as superfícies — com papel de cozinha, se for com um pano trocá-lo com frequência — e os alimentos;
  • Cozinhar bem os alimentos, a altas temperaturas;
  • Colocar a comida no frigorífico. Arrefecer rapidamente e colocar no frio, no máximo em duas horas;
  • Separar os alimentos crus dos cozinhados (no carrinho de compras, no saco de supermercado e no frigorífico).

Organização no frigorífico

Desengane-se quem pensa que os alimentos podem ser colocados aleatoriamente no interior do frigorífico. Este não deve estar demasiado cheio e o ideal é que as prateleiras do meio estejam a 5ºC. Como as prateleiras não estão todas à mesma temperatura, os alimentos devem ser arrumados respeitando a seguinte ordem: carne, peixe e marisco cru na prateleira debaixo; charcutaria, saladas, bolos com creme e doces nas prateleiras do meio; alimentos cozinhados, iogurtes e queijos nas prateleiras mais acima e o leite, ovos, manteiga, água e bebidas na porta.

Comida em viagem e caminhada em família

Existem pessoas que percorrem muitos quilómetros para estar com os seus familiares e muitas fazem questão de levar comida, mas cozinhar na hora é o mais correto. Caso o transporte de alimentos já confecionados seja mesmo necessário “é importante que sejam transportados em condições de temperatura adequadas — os alimentos frios bem frios, e os quentes bem quentes”, avisa a investigadora.

As tentações são muitas mas Paula Teixeira garante que existem estratégias que ajudam a evitar os excessos (e com eles, os microrganismos). Sugere começar a ceia de Natal com uma sopa de legumes (que tira a fome), comer porções mais pequenas, apostar na água e na fruta. Como sabemos que é difícil fugir aos excessos, depois de cometidos é hora de acalmar o estômago. “Nada melhor do que aproveitar a manhã de Natal para uma caminhada em família” aconselha Paula Teixeira.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Texto editado por Pedro Esteves
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Cristianismo

O natal, os três reis magos e outras fantasias

Donizete Rodrigues
144

O mito dos três reis magos é apenas uma representação simbólica, um modelo explicativo de grande significado para reforçar a importância de Jesus como salvador e unificador de toda a humanidade

10 de junho

A função social da esquerda /premium

Rui Ramos

Talvez a direita, noutros tempos, tenha tido o papel de nos lembrar que não somos todos iguais. As reacções ao discurso de João Miguel Tavares sugerem que essa função social é hoje da esquerda.

10 de junho

A função social da esquerda /premium

Rui Ramos

Talvez a direita, noutros tempos, tenha tido o papel de nos lembrar que não somos todos iguais. As reacções ao discurso de João Miguel Tavares sugerem que essa função social é hoje da esquerda.

PAN

A culpa como arma final /premium

André Abrantes Amaral

Antes o pecador ia para o Inferno; agora destrói a Terra. A Igreja falava em nome de Deus; o PAN fala em nome do planeta. Onde foi buscar tal ideia é o que a democracia tem tido dificuldade em perguntar

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)