A Associação de escuteiros dos Estados Unidos (EUA), os Boy Scouts, anunciou que vai passar a aceitar de imediato crianças transexuais, após anos de polémica pelas suas medidas discriminatórias. A decisão vem poucos meses depois de os Boy Scouts terem expulso um menino de oito anos, em New Jersey, por ser transexual.

Deixou-me zangado. Fiz uma cara triste, mas não chorei. Estou mais zangado do que triste. A minha identidade é a de um rapaz. Se eu fosse eles deixava qualquer pessoa do mundo entrar. É o certo a fazer”, disse Joe Maldonado, que nasceu rapariga, ao Washington Post.

O diretor executivo dos Boy Scouts, Michael Surbaugh, comunicou esta segunda-feira que a associação irá a partir de agora contar apenas o género com que os pais inscrevam as crianças, colocando um ponto final à apresentação o certificado de nascimento, que “já não é suficiente”.

Surbaugh diz que os escuteiros americanos têm vindo a ser “desafiados por um tópico muito complexo… a identidade de género” mas assegura que têm “aproveitado a oportunidade para evoluir e atualizar a nossa abordagem”, cita a CNN.

As comunidades e as leis estatais estão a interpretar a identidade de género de maneira diferente do que faziam no passado”, diz ainda Surbaugh ao El Mundo.

Os escuteiros americanos são conhecidos pela sua política de discriminação mas, nos últimos anos, a associação parece estar a fazer um esforço por mudar. Em 2013 passou a admitir adolescentes homossexuais e, em 2015, levantou o veto que impedia adultos homossexuais de ser monitores. Também as “Girl Scouts” começaram a aceitar membros transexuais nos últimos anos.