Em 2012 e 2014, o Porto foi eleito Melhor Destino Europeu no site European Best Destinations. Este ano, a cidade portuguesa é novamente uma das 20 finalistas e a concorrência é de peso. Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Atenas (Grécia), Londres (Inglaterra), Bruxelas (Bélgica), Praga (República Checa), Basileia (Suíça), Stari Grad (Croácia), Wild Taiga (Finlândia), Amesterdão e Roterdão (Holanda), Madrid e San Sebastian (Espanha), Sozopol (Bulgária), Gdansk (Polónia), Roma e Milão (Itália), Paris e Bonifacio (França) são as cidades que também estão na luta. As votações terminam esta sexta-feira e, porque toda a gente pode participar nesta eleição, o Observador dá 20 motivos para Tornar o Porto Grande Outra Vez… Perdão, Melhor Destino Europeu Outra Vez, assim é que é.

Serralves

Serralves, sempre. Porque é talvez o principal museu de arte contemporânea do país, porque foi projetado pelo multipremiado arquiteto Siza Vieira, porque nos 18 hectares do Parque convivem harmoniosamente jardins, matas e até uma quinta. Porque oferece à cidade 40 horas seguidas de festa na primavera e dois dias de celebração do outono. Porque há sempre crianças e jovens dentro das paredes da Fundação, a aprender sobre arte, sobre fauna e sobre flora. Em 2016 passaram por ali 682 mil visitantes, um aumento de 30% face ao ano anterior. 75% dos visitantes são portugueses.

O Serralves em Festa é o maior evento de cultura contemporânea em Portugal. O próximo acontece a 3 e 4 de junho. © Ricardo Castelo / Observador

O Passeio Alegre

A canção diz que Coimbra tem mais encanto. Nós acrescentaríamos que uma cidade com rio e mar também tem um encanto especial. O Douro, com os barcos rabelos e a Ponte D. Luís, é o postal por excelência da cidade, que já todos conhecem. Para além de caminhar na Ribeira, junto ao rio, vale a pena fazer toda a marginal a pé até à Foz e descobrir museus, igrejas, tascas e tasquinhas. O caminho é longo e pode ser feito de elétrico, mas, se pudéssemos, obrigaríamos toda a gente a sair na paragem do Passeio Alegre. A começar pelo farol de São Miguel-o-Anjo, construído em 1528 com projeto do arquiteto italiano Francesco Cremona e um dos mais antigos da Europa, passando pelo belíssimo jardim, com dois obeliscos a assinalar a entrada, da autoria de Nasoni, e a fonte luminosa. O caminho segue em direção às praias. De preferência, à hora do pôr-do-sol. Depois disto, ninguém tem coragem de votar noutra cidade…

No verão, há música ao vivo no Jardim do Passeio Alegre. © Pedro Figueiredo / CMP

As estrelas Michelin

Se por cada vez que alguém diz a frase “come-se muito bem no Norte” nascesse um euro nos nossos bolsos, já teríamos saldo para visitar as outras 19 cidades nomeadas para o European Best Destination. O Porto sempre se orgulhou da sua gastronomia, de sabores genuínos e prato cheio. Nos últimos anos, a alta cozinha começou a ganhar cada vez mais destaque e, em 2016, o guia Michelin atribuiu uma estrela ao Antiqvvm, do chefe Vítor Matos. Estrelas à parte, o restaurante situado no antigo Solar do Vinho do Porto já valeria uma visita só pela decoração e a vista sobre o Douro. O Antiqvvm juntou-se ao restaurante Pedro Lemos, do chefe com o mesmo nome, também com uma Estrela.

Há mais três restaurantes incluídos no clube dos melhores, que não ficam na cidade do Porto mas que fazem parte do distrito. O primeiro é a Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, onde o chefe Rui Paula faz o gosto ao paladar, enquanto o mar e o edifício, projetado por Siza Vieira, fazem o gosto aos olhos. O segundo é o The Yeatman, que em 2016 conquistou a segunda estrela, graças ao talento do chefe Ricardo Costa. Um pouco mais afastado, em Amarante, fica o Largo do Paço, assumido há um ano pelo chefe André Silva. Além de que todas as desculpas são boas para desfrutar das paisagens de Amarante.

“A nova versão da minha conserva”, do chefe Vítor Matos, inspirado na tradição das conserveiras nacionais. © Mário Cerdeira / Divulgação

As estrelas cá de casa

O Porto tem batido recordes de turistas, o que acarreta uma maior pressão imobiliária no centro e um risco maior para negócios históricos. Dito isto, ainda é possível comer bem e barato no centro da cidade. E isso vale ouro. Sejam as famosas sandes de pernil da Casa Guedes, os muito concorridos pregos do Venham Mais Cinco, os cachorrinhos do Gazela, as sandes de presunto da Tasca da Badalhoca, as bifanas da Conga, os petiscos do Lareira, os pratos do Caraças, os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço, os lanches e croissants da Padaria Ribeiro… A lista, felizmente, é longa.

Toalha de papel na mesa, pratos do mais simples que há. Na Casa Guedes, o sabor é rei e senhor. © Pedro Correia/ Global Imagens

A cápsula do tempo

Ser pobre dificilmente traz alguma vantagem. E dizemos dificilmente porque, no caso do Porto, até trouxe. Se a cidade tem um centro histórico classificado pela UNESCO desde 1996, isso deve-se à falta de verbas que impediram que, nos anos 1940 e 1950, tivessem entrado em vigor projetos de construção que implicavam demolir grande parte da zona histórica. “Da Ribeira, por exemplo, só ficavam algumas igrejas e o resto era tudo removido para se fazerem prédios”, recordou ao Observador Manuel de Sousa, responsável pela página “Porto Desaparecido”. Em cada canto há marcas do Porto Medieval, muralha Fernandina, vestígios da judiaria e uma diversidade arquitetónica que ajuda a contar a história de uma cidade que nunca sofreu um terramoto violento nem nenhuma guerra, e que conseguiu preservar-se. O velho elétrico, que ainda funciona, também ajuda a transportar os visitantes para tempos que não voltam.

O velho elétrico, que ainda funciona. © Andreas Nagel / Wikipedia

A arquitetura e os Pritzker do Porto

Há apenas dois portugueses premiados com um Pritzker — o Óscar da arquitetura. E ambos fazem parte da chamada escola do Porto. Eduardo Souto de Moura e Álvaro Siza Vieira deixaram a sua marca na cidade e não faltam visitantes interessados em percursos arquitetónicos destes dois nomes, onde se incluem a Quinta da Conceição, a Piscina das Marés e a Casa do Cinema Manoel de Oliveira.

Mas há muitos mais pontos de interesse para quem quer admirar arquitetura. A começar pelo ex-libris da cidade, a Torre dos Clérigos, com o seu estilo predominantemente barroco, da autoria do italiano Nicolau Nasoni. Gustave Eiffel deixou a sua marca na Ponte D. Maria Pia, a Casa da Música recebe visitas diárias de interessados no projeto do holandês Rem Koolhaas, o novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, da autoria de Luís Pedro Silva, acaba de vencer o prémio de Edifício do Ano 2017, categoria Arquitetura Pública, promovido pela plataforma internacional Archdaily. E tanto mais haveria por dizer.

A Casa da Música abriu às portas da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. © Wojtek Gurak / Visualhunt.com

As pessoas

No livro Porto D’Honra, Manuel de Sousa salienta que há traços de personalidade que os portuenses gostam de identificar como seus: o Porto como capital do trabalho; a cidade empreendedora, industrial e laboriosa; o seu cunho liberal e progressista; o valor da palavra dada; o vernáculo portuense; a pronúncia do Norte; o orgulho no que é seu; o forte bairrismo e a inexcedível hospitalidade. Elogiar a simpatia e a arte de bem receber nacionais é um clássico dos turistas estrangeiros. A Norte, essa hospitalidade é ainda mais vincada. E é meio caminho andado para que um visitante tenha uma experiência agradável e que queira regressar um dia. Viena, Berlim, Bruxelas, Praga, Basileia, Amesterdão e Roterdão: são muito bonitas, mas esta taça não levam.

O quarteirão das artes

A Rua Miguel Bombarda, em Cedofeita, atraiu tantos criativos nos últimos anos que galeristas e artistas independentes têm agora direito a seis grandes festas de rua por ano. São as “Inaugurações simultâneas em Miguel Bombarda“, em que galerias como a de Fernando Santos, Trindade, Ó! Galeria, Quadrado Azul, Símbolo e Artes em Partes inauguram novas exposições e as lojas de criadores independentes renovam as suas montras. Nas ruas, o município oferece animação paralela a quem passa, com destaque para a Bombarda Stop & Go, em que estudantes de Belas-Artes fazem visitas guiadas pelas exposições. Tudo de acesso livre. As de 2017 já estão marcadas e acontecem a 11 de março, 29 de abril, 17 de junho, 23 de setembro e 11 de novembro.

São muitas as galerias que inauguram novas exposições. Quem quiser pode adquirir as obras. © Pedro Figueiredo / CMP

A francesinha

É o verdadeiro pitéu da cidade. É também o pesadelo de qualquer cardiologista ou nutricionista. Quando o site The Culture Trip a incluiu no top 10 dos melhores sabores locais da Europa, descreveu-a como “uma refeição pesada de proporções épicas, servida com uma generosa pilha de batatas fritas, mergulhadas num molho de marca registada”. A sanduíche recheada com diferentes carnes e enchidos, coberta com queijo derretido e mergulhada no molho de cerveja (e outros ingredientes secretos que os cozinheiros preferem não revelar, ou não fosse o molho a chave deste prato) vem em todos os guias turísticos. O melhor de tudo: não é uma armadilha; os portuenses comem mesmo francesinhas.

Uma das perguntas que mais se fazem aos locais é onde se pode comer uma boa francesinha. Não há uma resposta única, mas o pequeno Bufete Fase, cujo espaço é pequeno (mesmo que o aumentasse, continuaria a ser insuficiente para tanta procura), é uma escolha segura. O Café Santiago também, haja coragem para enfrentar as filas. Se estiver mesmo cheio, o estabelecimento do lado, precisamente chamado Lado B, também as serve com mestria (e tem uma versão vegetariana). O restaurante Yuko, apesar de mais afastado da Baixa (Rua Costa Cabral), merece qualquer desvio pela recompensa de comer a francesinha.

Esta francesinha é do Lado B. © Divulgação

O vinho do Porto

Que dizer de uma das principais exportações portuguesas que o mundo ainda não saiba? Talvez que o vinho do Porto não ficou parado no tempo. Se tradicionalmente era visto como digestivo ou prenda de Natal, as novas gerações são cada vez mais apreciadoras da bebida e os bares estão atentos, criando cocktails como o Porto Tónico, forte concorrente ao Gin Tónico. A cidade tem um orgulho tremendo no vinho que desce o Douro nos barcos rabelos e as caves estão cada vez mais agradáveis a visitas, com bares melhorados e até novos restaurantes de gastronomia requintada. Os wine bars também vão abrindo portas, como a original Capela Incomum (Cedofeita) a os novíssimos Páteo das Flores (Rua das Flores) e Vindega (Foz). Um brinde a esta revolução.

Os jardins do Palácio de Cristal

Se acima celebrámos a manutenção do centro histórico, aqui lamentamos a demolição do Palácio de Cristal, em 1951. No seu lugar nasceu o Pavilhão Rosa Mota, mas o nome ficou. Os jardins românticos também, para gáudio da cidade. Portuenses e turistas cruzam-se na Avenidas das Tílias e dos Plátanos, no bosque, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, na Galeria Municipal do Porto, na Concha Acústica, na Capela de Carlos Alberto da Sardenha, na Casa do Roseiral. As crianças têm à disposição o parque infantil com a melhor vista da cidade, bem como mesas de piquenique e animais à solta — os pavões fazem o maior sucesso, graças às suas penas. Projetados pelo berlinense Emil David (1839-1873), os Jardins do Palácio de Cristal são um dos melhores locais para dar um passeio.

Um dos muitos pormenores dos jardins, com a Ponte da Arrábida ao fundo. © D.R.

A noite

Sente-se uma liberdade e uma descontração na noite do Porto que não se sente em todas as outras 19 cidades nomeadas. A Baixa concentra em si bares e discotecas para diferentes gostos, do rock à música latina, do lindy hop à eletrónica. Beber álcool na rua é permitido e, no verão ou no inverno, ruas como a Cândido dos Reis e Galeria de Paris enchem-se de gente de diferentes países, idades e interesses. Em quase todos os bares a entrada é gratuita, mesmo nos que têm pista e DJ de serviço. Os criativos e artistas escolhem sobretudo o Aduela para beberem um copo de vinho na esplanada, o Pipa Velha abriga os noctívagos no seu espaço acolhedor. O histórico pub Bonaparte abriu um irmão mais novo na Baixa que convida a longas conversas. Os principais DJs dividem-se entre o Gare Porto e o Plano B, as duas principais escolhas para quem quer dançar até ao amanhecer. Na Casa do Livro dança-se eletrónica, no Tendinha o rock é rei. Do outro lado da Avenida dos Aliados, na Rua Passos Manuel, o Maus Hábitos concentra exposições, eventos culturais e música alternativa, enquanto o novo Bôite, a poucos metros, se apresenta como uma discoteca onde o R&B não é esquecido. Difícil é escolher.

O Café Majestic

A cultura de café faz parte da história da cidade. E o Majestic soma 95 anos de histórias para contar. Decorado em Arte Nova, com os seus espelhos, mármores e esculturas, costuma estar cheio de turistas, é certo. Mas o jornalista Germano Silva, que conhece a cidade como ninguém, jura que é ali que se come o melhor arroz de feijão vermelho com pataniscas. Os portuenses mais jovens talvez não saibam, mas nas traseiras há um jardim que, em tempos, ligou a rua de Santa Catarina à rua de Passos Manuel. Hoje, liga as muitas culturas que por ali passam, seja para conversar, para tirar uma fotografia, ou para escrever. Como J.K. Rowling, que, quando viveu na cidade, ali parou para criar algumas páginas — as de Harry Potter, quem sabe.

Há quem não saiba que, nas traseiras do Majestic, há um belíssimo jardim. © Divulgação

A Livraria Lello & Irmão

É engraçado ficar a ver a reação dos turistas quando entram no edifício. Face ao entusiasmo e às interjeições — “oh!”, “uau!”, ou “caraca!”, como dizem os turistas brasileiros, por vezes os funcionários têm de dizer ”schhh”, para lembrar que os livros pedem algum silêncio. A Livraria Lello tem 111 anos e outros tantos elogios de publicações internacionais: em 2008, o jornal britânico The Guardian chamou-a a terceira mais bela do mundo. Também é uma das mais “cool” do mundo para a revista Time e para a CNN (esta última escreveu mesmo que era “a mais bela livraria do mundo”).

Não era possível antecipar tamanho sucesso, mas o projeto para o exterior e para o interior do edifício foi pensado para deixar os visitantes de queixo caído. “Queriam fazer uma coisa extraordinária. Não houve aqui nenhuma modéstia”, contou ao Observador José Manuel Lello, diretor da livraria e bisneto do fundador José Lello. E já que falámos em J.K. Rowling no ponto anterior, a escadaria é a principal atração para as fotografias. Não só por serem muito bonitas, mas também porque terão servido de inspiração à escritora britânica para as escadas de uma livraria descrita nos livros de Harry Potter. Aguentem-se com esta, Atenas, Bruxelas, Praga, Basileia, Milão e companhia.

Quantas das cidades em votação podem dizer que têm uma livraria tão bela quanto esta? © Divulgação

A oferta vegetariana e vegan

Pode soar estranho que, numa cidade que se orgulha de ter um prato de tripas à sua moda e uma das sanduíches mais calóricas, se encontre tanta e tão variada oferta vegetariana e vegana. Não tanto como Nova Iorque, claro. Mas, à escala portuguesa, o leque é alargado. O Essência é um dos favoritos dos locais, pela comida e pela esplanada. Na Baixa, o bufê do Da Terra tem uma boa relação qualidade/preço e o Cultura dos Sabores, na Rua de Ceuta, capta a atenção pelas cadeiras de baloiço. No Bonfim fica o Suribachi, onde se fazer workshops sobre comida vegetariana e vagana. Na Boavista, o restaurante Em Carne Viva serve pratos de apresentação cuidada, incluindo francesinha vegetariana. A lista é variada. Podem vir sem medo, visitantes que não comem carne nem peixe.

Íamos colocar uma foto de um prato com legumes. Mas depois vimos esta sobremesa do Em Carne Viva… © Fabrice Demoulin / Divulgação

A oferta hoteleira cheia de pinta

Tal como escrevemos acima, o turismo traz alguma pressão imobiliária porque o número de hotéis e alojamentos começa a aumentar, para corresponder ao aumento da procura de camas. Muito desse crescimento tem sido feito com bom gosto e com preços para diversas posses. Sendo o fenómeno do turismo relativamente recente, há muitos hotéis e hostels novos, que costumam entrar nos muitos tops de melhores alojamentos do mundo que se vão fazendo amiúde. O Oh!Porto, por exemplo, abriu com um projeto arquitetónico que vale só por si uma visita. Mesmo que não se queira ficar hospedado num dos seis apartamentos de decoração minimalista, batizados com o nome das seis pontes que compõem a paisagem ribeirinha — D. Luís, Arrábida, Freixo, Infante, São João e Dona Maria. O Flores Village e o Vitória Village, com entrada pela Rua das Flores, são diferentes mas partilham entre si um jardim privado de fazer inveja. Depois de cinco anos em obras, o M Maison Particulière abriu no Largo de São Domingos com uma estrela por cada ano de obras. Trata-se de um antiga casa particular com 10 suites com pormenores do edifício original, que remonta ao século XVI. As pinturas murais, os tetos ornamentos e os azulejos tradicionais também fazem parte da decoração e os preços começam nos 195€. Já o Armazém Luxury House, que era um armazém de ferro, é agora um hotel de charme cheio de janelas e terraços abertos para a Sé do Porto e a Torre dos Clérigos.

Flores Village e Vitória Village partilham um jardim privado, aqui decorado para as festas de São João. E, tal como o spa, o jardim é só para os clientes do hotel. © Divulgação

A estação de São Bento

Sair do Alfa Pendular ou do Intercidades em Campanhã pode ser desolador. Mas apanhar o metro ou o comboio para a Baixa e sair em São Bento desfaz logo qualquer dúvida sobre o que a cidade tem para oferecer. Classificada em 1997 como Imóvel de Interesse Público, a estação ferroviária completou em 2016 os 100 anos da sua inauguração e os painéis de azulejo do átrio principal, da autoria de Jorge Colaço, continuam a merecer as muitas visitas guiadas e flashes diários. Vale a pena contratar um guia para decifrar as cenas de cada parede.

Os azulejos de Jorge Colaço contam uma história. © Diogo Delso

O São João

Por uma noite, a cidade enlouquece. No bom sentido. De 23 para 24 de junho, os portuenses tiram do armário os martelinhos, saem para a rua para assar sardinhas e lançar balões para os céus, esfregam alho-porro na cara de desconhecidos e ainda lhes martelam a cabeça sem pudor, que se os martelos só se usam uma vez por ano há que aproveitar a oportunidade. Melómanos eruditos esquecem Bach, os Beatles e Kanye West para correrem rapidamente e em força para o bailarico mais próximo — nem adianta fingir que não se sabe de cor metade do repertório do Emanuel ou do Quim Barreiros, que essa não cola. À meia noite, as cabeças viram-se para o céu, ou não fosse noite do melhor fogo de artifício do ano. E tudo isto por um santo que nem sequer é o padroeiro da cidade. O São João é, sem dúvida, a maior festa do Porto e atrai visitantes de todo o lado. Tens uma festa para concorrer com esta, Milão? E tu, Bonifacio? Pois.

O fogo de artifício na noite de São João reflete as suas cores no rio. © Câmara Municipal do Porto

A arte urbana

A cidade está deserta. E alguém escreveu o teu nome em toda a parte, cantava Vítor Espadinha para os Ornatos Violeta. A cidade não está deserta e, para além dos nomes escritos, há murais inteiros de arte urbana nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas. Até nas caixas de eletricidade, umas pintadas, outras com frases típicas da cidade lá escritas, como “Oh morcom, bai-me à loja”. A mais recente inaguração pertence a Joana Vasconcelos, que criou um mural em azulejo na hamburgueria Steak n’Shake, na Praça Guilherme Gomes Fernandes. No verão, a PortoLazer costuma promover visitas guiadas pedestres por algumas das mais recentes intervenções do programa de Arte Urbana do Porto. E há tantas por descobrir, da autoria de nomes como Hazul, Mr Dheo, MAISMENOS, Third e Mesk.

Algumas das pinturas murais do artista portuense Hazul, espalhadas pela cidade.

As vistas

Dizem que os últimos são os primeiros. Na hora de escolher um destino de viagem quem puser “Porto” num qualquer motor de busca e pedir para mostrar imagens vai ver centenas de fotografias parecidas. É que quase todas se focam na zona ribeirinha do Porto, com o céu azul, o rio, as pontes, as casas coloridas e os monumentos da zona histórica. O Douro dá cor e vida à cidade, e as muitas subidas e descidas permitem que os miradouros se multipliquem. Um dos favoritos dos jovens portuenses é o Passeio das Virtudes. No verão, chega a ser difícil arranjar um pedaço de relva para estender a toalha (mas consegue-se). Alguns artistas de rua juntam-se por ali, a beber uns ‘finos’ e comer umas tostas, tudo “ao preço da uva mijona”, para usar uma expressão local.

O tabuleiro superior da Ponte D. Luís I é outro dos miradouros obrigatórios de quem visita a cidade — mas cuidado com o metro, que passa no centro. Dali, do centro do rio, consegue-se ver as duas margens. As melhores vistas para o Porto conseguem-se do lado de Gaia, claro, sobretudo do Cais de Gaia. De resto, opções não faltam. Em 2016 abriram novas esplanadas, algumas com vistas verdadeiramente deslumbrantes, como as do restaurante Torreão e Miradouro Ignez. A calma que as esplanadas da Cooperativa Árvore e do restaurante Antiqvvm proporcionam não tem preço. Ou melhor, tem: basta pedir uma bebida ou um dos pratos dos respetivos menus. Com uma vista destas, qualquer refeição sabe melhor.

Nas Virtudes, o ambiente é descontraído e as ‘minis’ refrescam quem por lá se senta a ver o pôr-do-sol. © Rui Meireles / CMP