Escutámos uma conversa alheia. Não foi de propósito, a sério que não. Apenas estávamos a um metro de distância e a nossa atenção foi sugada ao ouvir estas 10 palavras: “Vou a um sunset no X, na Praia do Ourigo”. Perguntámos, já sem vergonha nenhuma na cara: “O Shis reabriu? Um dos mais concorridos restaurantes de sushi do Porto está de volta?”. “Sim, o X voltou a abrir”, respondem-nos. Só depois de irmos até lá percebemos que, à audição, “X” e “Shis” soam ao mesmo, mas não são a mesma coisa. Embora qualquer semelhança entre eles não seja pura coincidência.

Primeiro, a contextualização. Quando se falava em sushi, o restaurante Shis era um nome a ter sempre em conta no Porto, não só pela localização em plena Praia do Ourigo como pela mão certeira do chef António Vieira. Infelizmente, o ano de 2014 começou com uma tempestade violenta. Após sete anos de vida, as instalações não resistiram à fúria do mar e o restaurante ficou completamente destruído.

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O Shis ficou destruído no temporal de janeiro de 2014. © Adelino Meireles / Global Imagens

Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Neste caso, depois da tempestade veio um incêndio. O Shis comemorou o regresso em julho de 2014, em formato de bar e com direito a sushi. Só que em março de 2015 foi a vez de as chamas destruírem tudo outra vez. O chef António Vieira partiu para outra e, em setembro desse ano, abriu na Foz o restaurante Wish. Parecia que tinha chegado o fim do Shis.

Mas como deixar um espaço daqueles para trás? Ricardo Campos Costa, o proprietário, deve ter pensado o mesmo e abriu este junho o X Bar. “É preciso separar bem as coisas, o X não tem nada a ver com o passado”, explica ao Observador Fredrik Azevedo, responsável de comunicação do espaço. Embora o nome seja parecido e o proprietário seja o mesmo, trata-se de um bar sazonal, que vai estar aberto até setembro ou outubro, dependendo das condições climatéricas.

O menu também não tem nada a ver. Sentados nas cerca de 150 cadeiras almofadadas disponíveis, os clientes terão à disposição sanduíches, tostas, saladas e hambúrgueres cujo pão é feito nas instalações do restaurante Clérigos, que Ricardo Campos Costa abriu em 2013, em parceria com o chef Pedro Lemos.

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A vista do bar, de quem vem do lado de Matosinhos. © Sara Otto Coelho / Observador

Maria José Rodrigues, responsável pelo espaço, destaca os novos petiscos que acabam de entrar na carta. Há patê de alheira com tostinhas aromatizadas (3€), queijo chèvre panado com compota de framboesa (6€), tábuas de queijos e enchidos (12€), camarão ao alho (9€) e nachos com alioli (4€), entre outras opções. “A pastelaria também é toda feita por nós, no Clérigos”, acrescenta Maria José Rodrigues. Ou seja: pastéis de nata, bolos e “o semifrio de frutos vermelhos, que é delicioso” são todos caseiros.

As sangrias, vinhos e cocktails também saem muito no único bar que existe naquela praia. Há sangria branca, tinta e de espumante, que tanto pode ser servida em jarro (18€) ou copo (4€), uma opção que não se vê com frequência na maioria dos espaços. Para não ser só a comida e a bebida a animarem o X Bar, uma a duas vezes por mês haverá festas sunset. As tais que nos levaram a saber que o X estava a funcionar.

No futuro, o Shis pode voltar a abrir portas como restaurante, avança Fredrik. Ainda é cedo para falar em datas ou no conceito, mas, até agora, o Shis tem sido como uma onda do mar: vai, mas volta sempre.

Nome: X Bar
Morada: Rua Coronel Raúl Peres, 4150 Porto (Praia do Ourigo)
Horário: Todos os dias das 10h às 20h
Site: https://www.facebook.com/shiscafe/