Se há coisa que Leonardo Jardim nunca abdica é do GALO. Sabe o que é? Gestão Andando de um Lado para o Outro. Durante os jogos, o treinador português tem aquele olhar cerrado, a tocar quase na desconfiança, mas cá fora é uma pessoa de conversa fácil, sentido de humor e grande simpatia. E foi nesse registo que um dia explicou em entrevista a sua forma de estar no futebol. “Utilizo uma filosofia baseada numa interação total. Não sou treinador de gabinete, mas de campo. Não marco reuniões. Tenho a informação da fonte de uma forma direta. Chego às 9h e ando no clube durante hora e meia. No final do treino volto a andar mais hora e meia. Ando às voltas, sem rumo, mas com disciplina. É nessas alturas que há maior fluxo de informação. Converso com quem me cruzo”, explicou.

14 anos depois de ter iniciado a carreira nos madeirenses do Camacha, o GALO de Jardim continua a cantar e agora, no Mónaco, já se colocou no poleiro dos quatro melhores da Europa: os franceses confirmaram frente ao Borussia o triunfo por 3-2 em Dortmund, vencendo esta quarta-feira os germânicos por 3-1. 14 anos depois, o Mónaco voltou a chegar às meias-finais da Liga dos Campeões. E ninguém parece ser capaz de lhe baixar a crista. Na Liga dos Campeões e no campeonato, onde continua a liderar numa luta que promete ser titânica até final com o PSG. E já se fala do interesse de Arsenal, Inter e até Barcelona em Jardim.

Mpabbé marcou o primeiro golo, Falcao apontou o segundo e o Mónaco é cada vez mais a equipa sensação da Europa

A entrada determinada dos gauleses acabou por ser determinante, com a dupla Mbappé-Falcao a chegar rapidamente ao 2-0 aos três e 17 minutos. Reus, no arranque do segundo tempo, conseguiu reduzir a desvantagem, mas Germain, aos 81′, fechou o resultado apenas 30 segundos depois de substituir Mbappé.

Assim, e depois de ter começado a Liga dos Campeões na terceira pré-eliminatória, o Mónaco juntou mais uma vítima a uma longa lista de adversários abatidos: Fenerbahce (terceira pré-eliminatória), Villarreal (playoff), Tottenham, Bayer Leverkusen, CSKA Moscovo (fase de grupos), Manchester City (oitavos-de-final) e B. Dortmund (quartos-de-final).

A história que não se repetiu em Barcelona

A reviravolta do Barcelona com o PSG foi épica, ficará para sempre na história, mas não acontece todos os dias. Muito menos contra a Juventus, ou não fosse de longe a melhor equipa italiana dos últimos anos.

Messi tentou de todas as formas, de bola corrida ou de bola parada, mas a muralha da Juventus foi intransponível

Assim, e depois da derrota por 3-0 em Turim, os catalães tentaram de todas as maneiras e feitios, andaram de um lado para o outro a namorar a baliza de Buffon, mas aquele futebol reduzido a 20 metros dos transalpinos com blocos baixos na hora de defender revelou-se uma muralha intransponível para os blaugrana. Mais do que defender muito, o conjunto de Allegri soube defender bem. E com isso sentenciou o final da era Luis Enrique com um nulo. Com uma curiosidade: o Barcelona fez 17 remates (contra 12 da Juventus), mas apenas um foi enquadrado (contra quatro dos italianos).

Com isso, sobram “apenas” duas equipas espanholas nas meias-finais da Champions. As mesmas que estiveram no jogo decisivo da prova em 2014 e 2016, Real Madrid e Atl. Madrid. Não há duas sem três?