“Sou um homem de fé, não de fezadas.” É o próprio Fernando Santos quem assim se caracteriza — no futebol como na vida. No ano passado, durante o Verão futebolístico em França, o engenheiro prometeu que só voltaria a casa no dia 11 de julho. E voltou — com o “caneco” do Europeu erguido no ar .

Mas a participação de Portugal no Euro foi imprópria para cardíacos. Só prolongamentos (na fase a eliminar, depois de três empates na de grupos) contabilizaram-se três. É sofrer até mais não — entre portugueses, claro.

E tudo começou logo nos oitavos-de-final contra a Croácia. 25 de junho de 2016. O estádio era o Bollaert-Delelis, em Lens. Só aos 117′ (e quando os penáltis eram uma certeza para muitos — dentro e fora do relvado) é que Quaresma, entrado perto do final (87′) do tempo regulamentar, resolveu o que ninguém resolvera até então. Seguia-se a Polónia de Robert Lewandowski nos quartos-de-final. Aí sim, só nos penáltis é que tudo se decidiria — o empate (1-1) teimou até final, com golos do inevitável “Lewa” e de Sanches. E nos penáltis Moutinho bateu bem como ele sabe (Ronaldo dixit) e Patrício foi maior do que a própria baliza. Nas “meias” não houve prolongamento e o País de Galês de Bale fez as malas de volta a casa em 90′ apenas. A final era contra os anfitriões do Europeu em pleno Stade de France. Não atava nem desatava o empate a zero. Desatou-o Éderzito António Macedo Lopes (ou apenas Eder) aos 109′ — o herói improvável daquele que é provavelmente o golo mais belo a que um adepto português assistiu e assistirá.

Até esta quarta-feira, e com o campeão da Europa a defrontar o da América Latina, o Chile, passaram-se 368 dias (trezentos-e-sessenta-e-oito longos dias) desde que Fernando Santos chegou pela primeira vez a um prolongamento com Portugal. Nunca perdeu. Perderia hoje, sem que os que batem bem o fizessem — até Moutinho falhou –, sem que aquele (Patrício) que tudo defendeu em França defendesse o que quer que seja na Rússia.

Taça das Confederações. Um, dois, três, afinal não houve uma outra vez