A diretora da seleção espanhola, María José Claramunt, pode ser a nova peça do puzzle do escândalo financeiro que eclodiu na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), e que já levou à prisão preventiva do seu presidente, e também vice-presidente da FIFA, Ángel María Villar.

Segundo uma investigação do El País, que cita fontes anónimas, a diretora da seleção espanhola “dissimulava o seu poderio económico” e, junto de pessoas próximas, terá referido mais do que uma vez que recebia dinheiro por fora, além do seu salário oficial obtido com a RFEF. “Dava a ideia de que o que a preocupava, mais do que a quantidade de dinheiro que recebia, era como a podia justificar perante as finanças.”

“É mentira, nunca disse isso”, reagiu Claramunt ao El País, acrescentado que ganhava 250 mil euros brutos por ano, uma remuneração que em Portugal equivale já ao valor pago ao administrador de uma grande empresa.

O El País escreve ainda que a diretora da seleção espanhola chegou a viver num hotel de cinco estrelas no centro de Madrid, o Hospes Puerta de Alcalá. De acordo com aquele jornal, o hotel em questão pratica, à data, preços que vão acima dos mil euros por estadia — mas também tem quartos disponíveis em troca de 200 euros à noite. Claramunt contaria também com serviços como o de uma cabeleireira, que seria enviada ao hotel onde estaria hospedada quando quisesse.

Entre os jogadores da seleção, Claramunt é conhecida como jefa ou boss (em português, chefe). Iker Casillas, capitão da seleção espanhola e guarda-redes do FC Porto, que Claramunt trata por capi, é um dos jogadores com quem tem mais proximidade no balneário da roja.

Até agora, María José Claramunt não foi constituída arguida a Operação Soule, o nome do processo que investiga a federação espanhola, nem faz parte do rol dos suspeitos já conhecidos. Ainda assim, já foi interrogada e as autoridades fizeram buscas ao seu gabinete na federação.

Claramunt foi diretora de marketing do Valencia FC (que tem no seu pai, Pepe Claramunt, um dos jogadores mais notáveis do clube) até ter sido contratada pela RFEF em 2011, um ano depois de a seleção espanhola ter vencido o mundial, troféu que lhe valeu um acréscimo considerável de patrocinadores. A contratação de Claramunt foi da responsabilidade de Villar, o presidente da RFEF, que está em prisão preventiva, e que é um amigo próximo do ex-jogador do Valencia FC.