O Sporting apresentou-se oficialmente aos sócios em Alvalade e logo contra o Mónaco, o campeão francês. No final, e após 90 minutos que culminaram com o triunfo por 2-1, confirmou aquilo que os muitos milhões investidos (só em Acuña e Bruno Fernandes foram 18,1 milhões de euros) indiciavam: “Sim, sou candidato”.

Ficha de jogo

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Sporting-Mónaco, 2-1

Jogo de apresentação aos sócios

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Sporting: Rui Patrício (Beto, 85′); Piccini, Coates (Tobias Figueiredo, 85′), Mathieu, Fábio Coentrão (Jonathan Silva, 57′); Battaglia (William Carvalho, 57′), Bruno Fernandes (Adrien, 57′); Gelson Martins (Iuri Medeiros, 64′ e Francisco Geraldes, 85′), Acuña (Bruno César, 64′ e Mattheus Oliveira, 85′), Podence (Alan Ruíz, 64′) e Bas Dost (Doumbia, 57′)

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Bruno Fernandes (32′), Bas Dost (43′) e Guido Carrillo (90+1′)

Ação disciplinar: nada a registar

Este foi o sexto jogo da pré-temporada (pelo menos à porta aberta, porque antes tinha ganho na Academia ao Sporting B, por 3-0, e ao Cova da Piedade, por 2-0), depois de Belenenses (1-1), Fenerbahçe (2-1), Valencia (0-3), Basileia (2-3) e Marselha (1-2). Este foi o melhor jogo da pré-temporada. E explica-se em seis notas.

Primeira nota: aqueles erros individuais escandalosos que deitavam abaixo o sistema elétrico da equipa existiram mas em muito menor quantidade. Rui Patrício, que está sempre bem entre os postes, ainda deu duas goelas com os pés no início do jogo (numa delas, aos 8′, Falcao esteve perto de fazer golo e a recarga de Mbappé para uma baliza sem guarda-redes embateu em Coates), mas houve mais certeza nas ações. Tobias Figueiredo, aos 90+1′, teve a gaffe da noite, possibilitando o golo a Guido Pizarro que podia ter outras consequências se tivesse surgido um pouco mais cedo.

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Neste aspeto, Battaglia foi exemplo paradigmático: a ‘6’, não inventou, ocupou bem espaços, recuperou bolas, arriscou uma vez a meia-distância. Esteve bem. E quando errou, como aconteceu numa perda aos 56′ mesmo antes de ser substituído, levou logo um valente puxão de orelhas de Jorge Jesus, técnico que ficou algum tempo de cabeça a abanar após o golo que o conjunto verde e branco sofreu mesmo no final da partida.

Segunda nota: Bruno Fernandes é a melhor contratação do Sporting na presente temporada. Daqueles que não enganam mesmo. Voltou a jogar na posição de Adrien e foi o motor da equipa, oferecendo qualidade de construção ofensiva, capacidade de variação rápida de flanco de jogo e meia-distância (comparando com Adrien, só parece pecar no pautar das zonas de pressão a meio-campo). Até golos, neste caso o primeiro: transição rápida dos leões, desmarcação de Bas Dost na diagonal e grande assistência para o golo do médio, de carrinho, aos 32′. Desde que jogue no corredor central e não seja remetido às alas, tudo passa (e bem) pelos seus pés.

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Terceira nota: Jesus apostou em três rodas baixas no apoio a Bas Dost, que continua a ser um verdadeiro camião de golos. Do holandês, além do resumo da última temporada, não vale a pena dizer muito mais: teve uma oportunidade para alvejar com perigo a baliza de Subasic e marcou, de cabeça, na sequência de um canto, aos 43′ (e antes tinha feito a assistência para o 1-0 de Bruno Fernandes, convém não esquecer). Foi mais do mesmo.

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Já a titularidade de Gelson Martins na direita, Podence ao meio e Acuña à esquerda foi uma experiência conseguida. São todos pequenos grandes jogadores, incluindo o argentino, que aos 4′ teve a primeira oportunidade evitada com uma grande defesa aos pés pelo guarda-redes contrário. Estão em constante movimentação, sendo normal ver Gelson à esquerda de quando em vez, Podence à direita e Acuña ao meio (foi assim que nasceu esse lance aqui citado). E conseguem desposicionar a defesa contrária, que deixa de ter referências de marcação e apanha-se algumas vezes em situações de 1×1 que forçam a falta. O sul-americano tem ainda um outro ponto que confirmou: a propensão para bolas paradas, como se viu num livre aos 15′ e na assistência para Dost no segundo golo.

Quarta nota: quando a defesa sobe um pouco mais, tem problemas com ataques adversários que andam sempre em excesso de velocidade (e o Mónaco tinha Mbappé, Lemar e Tielemans, entre outros). Mbappé (19′) e Falcao (28′) tiveram boas oportunidades para visar a baliza de Rui Patrício, porque a linha recuada dos leões ainda continua à procura da melhor afinação quando sobe e há sempre alguém que deixa os avançados contrários em linha. O poder de fogo do campeão francês obrigou em algumas ocasiões o Sporting a meter marcha atrás, defendendo com blocos mais baixos e atrás da linha da bola, mas a tendência ao longo da época será ter a defesa mais subida. E é fácil perceber o que se passou com outra analogia: um carro pode ser muito rápido em linha reta, mas como para defender é sempre preciso dar a volta, essa questão da velocidade acaba por esfumar-se porque há mais coisas que contam…

Quinta nota: ao contrário do que tinha acontecido quase sempre na Suíça, o Sporting não conseguiu ser tão assertivo em termos de bolas paradas defensivas. Aos 19′, num golo que seria anulado a Rony Lopes, os leões tinham todos os jogadores dentro da área a defender à zona mas ninguém saiu para o remate de ressaca à entrada da área; aos 65′, Patrício fez uma defesa gigante a cabeceamento de Guido Pizarro na área também após canto.

Sexta nota: para todos aqueles que têm de fazer a cobertura dos jogos em liveblog (o que, no nosso caso, só voltará com os encontros oficiais), tudo vai mudar também com o vídeo-árbitro. À semelhança do que aconteceu com o jogo particular do Benfica e amanhã no V. Guimarães-FC Porto, houve teste das novas tecnologias para aquilo que virá na Primeira Liga e que funcionou logo aos 19′, quando um golo de Rony Lopes foi anulado sem motivo aparente. Depois, na repetição, e quando as equipas já estavam a caminho do meio-campo, percebeu-se que Jemerson estava à frente de Patrício quando o remate saiu, sancionado com fora-de-jogo posicional. Pelo meio, tinham surgido alguns ‘pushes’ com o 1-0 do Mónaco…

Hoje, em Alvalade, houve 45 minutos a sério e 45 minutos a rodar jogadores como é típico da pré-temporada. E o carro verde e branco já pareceu mais afinado. Sobretudo por causa de um motor, de três rodas baixas e de um camião de golos que prometem colocar o Sporting a acelerar com Benfica e FC Porto na luta pelo título.

Veremos também que tipo de curvas ainda terá preparado o mercado até ao seu fecho. E se as eventuais saídas não gripam a equipa. Porque, a nível de direção, Jorge Jesus parece ter encontrado no 4x4x2/4x1x3x2 das duas últimas temporadas o melhor GPS para a equipa não se perder em campo. E esse foi talvez o maior ensinamento que o treinador trouxe dos nove dias de estágio da Suíça, deixando cair na apresentação o sistema de três centrais.