As autoridades francesas estão a investigar a possibilidade de o ex-Presidente Nicolas Sarkozy ter recebido subornos para apoiar a candidatura do Qatar à organização do Mundial de futebol de 2022. A notícia é avançada pelo The Telegraph, que acrescenta que a venda do clube Paris Saint-Germain a um proprietário qatari pode fazer parte do alegado suborno.

Além da venda do clube parisiense ao milionário Nasser Al-Khelaifi, as autoridades focam-se também no negócio que levou o Qatari Diar, um fundo de investimentos estatal do Qatar, a comprar 5% da Veolia, uma empresa de gestão de resíduos urbanos, em abril de 2010. De acordo com o The Telegraph, Nicolas Sarkozy é “próximo” de vários diretores e antigos diretores da Veolia. A votação derradeira, que contava ainda com as candidaturas da Austrália, do Japão, da Coreia do Sul e dos EUA, decorreu em dezembro de 2010.

De igual forma, há suspeitas em torno da venda do Paris Saint-Germain, consumada em 2011. Nesse ano, a empresa Colony Capital, detentora de 95% clube à data, vendeu-o à empresa Oryx Qatar Sports Investments, de Nasser Ghanim Al-Khelaifi. À data do negócio, o diretor da Colony Capital era Sébastien Bazin, também ele próximo de Nicolas Sarkozy. Desde 2013, Sébastien Bazin é o diretor executivo do grupo hoteleiro AccorHotels — e em fevereiro de 2017, poucos meses depois de ter perdido as primárias do centro-direita, Nicolas Sarkozy foi anunciado como o mais recente administrador daquele grupo, com a missão de promovê-lo nos estrangeiro.

Autoridades procuram 182 milhões de euros

Segundo o The Telegraph, os procuradores estão a seguir o trilho de 182 milhões euros que “podem ter sido desviados” durante a negociação e que podem ter sido usados para fazer pagamentos para facilitar a escolha do Qatar para sede do Mundial de 2022. Esse trilho pode ir dar a Chipre, onde os procuradores estiveram a investigar o paradeiro daquelas quase duas centenas de milhões de euros.

Na mira dos procuradores estará também uma reunião que ocorreu no Palácio do Eliseu, a sede presidencial francesa, entre Nicolas Sarkozy e Michel Platini, à altura presidente da UEFA, e dirigentes do Qatar apenas dez dias antes da votação que ditou a vitória da candidatura qatari.

O advogado do ex-Presidente francês negou as acusações e diz que “não foram encontradas provas”.