O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou esta terça-feira em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, que a criação de um Estado palestiniano, coexistente com o Estado de Israel, é o único caminho possível para resolver o conflito israelo-palestiniano.

“Não há um plano B (além de) uma solução de dois Estados”, afirmou Guterres, em declarações conjuntas com o primeiro-ministro palestiniano, Rami Hamdallah, em Ramallah, na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.

O secretário-geral das Nações Unidas está a realizar uma visita a Israel e aos territórios palestinianos ocupados até quarta-feira.

A conhecida solução dos dois Estados, ou seja, o estabelecimento de um Estado palestiniano que coexistisse pacificamente com Israel, tem sido defendida ao longo dos anos por uma grande parte da comunidade internacional, desde a ONU até à Liga Árabe passando também pela União Europeia (UE), como o caminho a seguir para a resolução de um dos conflitos internacionais mais antigos.

Foi também um princípio orientador presente nos discursos dos Presidentes dos Estados Unidos pelo menos desde 2001. Em fevereiro passado, o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, pareceu distanciar-se da ideia da criação de um Estado palestiniano para alcançar a paz no Médio Oriente, rompendo assim com vários anos de diplomacia internacional.

“Estou a avaliar a possibilidade de dois Estados e de um Estado. (…) Gosto da solução que os dois lados gostarem. Se eles estiverem contentes, eu também estou”, afirmou então durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em Washington.

Desde então, os palestinianos têm pressionado a administração Trump para que esta se comprometa com a solução dos dois Estados, ao mesmo tempo que procura formas para relançar as negociações de paz para o Médio Oriente, que estão estagnadas.

No entanto, uma nova missão americana terminou na semana passada sem expressar o seu apoio à solução de dois Estados.

O primeiro-ministro palestiniano, Rami Hamdallah, informou esta terça-feira que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, abordou esta questão e o assunto dos colonatos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém-Leste (territórios anexados e ocupados por Israel) com os enviados americanos.

“Até agora, a administração dos Estados Unidos não respondeu a estas duas questões e prometeu voltar nas próximas semanas com esclarecimentos e um plano de trabalho para uma próxima fase”, indicou o responsável palestiniano.

A solução de dois Estados e o fim da ocupação israelita são “o único meio para garantir a paz e a coexistência de dois Estados em segurança e de reconhecimento mútuo”, declarou ainda António Guterres.

O ex-primeiro-ministro português reiterou ainda que a colonização (colonatos civis israelitas em territórios palestinianos ocupados) é “ilegal” à luz do Direito Internacional e constitui um “grande obstáculo” na procura da paz, algo que é contestado pelo governo de Israel.